Quando se fala em taekwondo é comum para muitas pessoas lembrar primeiro do esporte de atletas como Diogo Silva ou Natália Falavigna.
Mas antes de virar esporte, o taekwondo já existia como uma arte marcial milenar, criada na Coreia para ser utilizada pelo exército no campo de batalha.
De lá pra cá, a arte se popularizou e criou raízes como a do taekwondo olímpico, onde muitas técnicas tradicionais deixaram de ser utilizadas, tornando a modalidade mais técnica.
Mas em Londrina um mestre 5º Dan pretende resgatar o que o tempo se encarregou de guardar. E essa foi uma das ideias que instigaram Jair Queiroz a desenvolver a metodologia de ensino que ele chama de Kroz Combat, onde os golpes de taekwondo vão muito além dos socos e chutes praticados na modalidade olímpica. São saltos, giros e até mesmo técnicas para derrubar o adversário.
Além da arte coreana, Queiroz mistura técnicas de outros tipos de luta, como boxe e hapkydo. Ainda é possível, segundo ele, incluir elementos típicos do le parkur e até mesmo street dance, ressaltando a liberdade para criar durante lutas e apresentações. ''Como nosso foco não é o olímpico, então que seja mais elaborado e bonito. A ideia é ter essa liberdade de movimentos, mas claro que com limites, usando apenas aquilo que realmente vai embelezar. Tanto que há coisas que é possível usar na luta, mas não em apresentações, assim como o inverso'', explica Queiroz.
O mestre destaca que, por enquanto, o Kroz Kombat é apenas uma metodologia. Ele até pensa em regras diferenciadas, como as relativas à decisão das lutas, onde seria possível vencer por pontos, por nocaute ou até mesmo por derrubar o adversário de uma maneira parecida com o ippon do judô. Mesmo assim, ele acredita que no momento a junção de técnicas seja mais apropriada para apresentações.
Ao que indica, o método também deve se manter em permanente construção, já que o próprio mestre, mesmo com 50 anos de idade, sendo mais de 30 dedicados ao taekwondo, diz ter muita coisa para aprender. ''Ainda há muita coisa na literatura e assistindo a apresentações de mestres coreanos, você vê golpes tão explosivos que fica até difícil de entender'', destaca.
Quem pratica o Kroz Kombat junto com Queiroz cita a liberdade e variedade de movimentos como as grandes motivações da metodologia. ''Você não fica preso nem limitado a poucas técnicas, é bem diferente'', afirma Jonathas Kisser Peretti, que pratica o taekwondo há um ano.
Entre os adeptos não há apenas novatos. Professora de taekwondo na mesma academia de Queiroz, Cristina Vieira competiu durante sete anos pela modalidade olímpica da luta. Chegou a disputar competições de nível nacional e sul-americano e hoje tem 100% de certeza quando fala: ''Esse aqui é muito melhor que o outro. O olímpico é meio limitado e não tem tanta variedade de golpes. Acabei pegando mais gosto pelo taekwondo tradicional'', afirma.
Cristina não só mudou o estilo de lutar, mas também sua visão sobre a arte marcial. ''Antes eu pensava só em competir, agora busco melhorar, tentar golpes diferentes. Aqui é outra visão de treinamento e o desafio muito maior''.

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