Munique - O discurso ainda é o mesmo: o objetivo da Alemanha é ser campeã. A forma como as palavras de Jurgen Klinsmann são recebidas, porém, mudou. Exatos 16 dias atrás, o treinador era tachado de tolo ao dizer que os anfitriões poderiam erguer a taça. Motivos para ridicularizá-lo não faltavam. Afinal, era quase um forasteiro vive nos EUA desde 1998 no comando do time, peitara um dos ídolos do país, apostara em técnicas alternativas de motivação e, mais do que tudo, dizia que novos talentos iriam acabar com a modorra do setor ofensivo da seleção.
Já ontem, na véspera do primeiro duelo de mata-matas, contra a Suécia, a afirmação não soou como devaneio. Ao contrário: acabou recebida com entusiasmo por um país que recuperou em três jogos a esperança de conseguir o tetra. Klinsmann sabe que suas apostas deram certo até aqui, mas não ousa comemorar. ''Ser eliminado agora ou nas quartas-de-final seria uma catástrofe'', diz o ex-jogador da seleção.
É o vaticínio de quem conheceu o inferno pela revolução que implantou na seleção. Ao assumir um elenco em crise, eliminado na primeira fase da Eurocopa de 2004, o ex-atacante de 41 anos avisou: tudo teria que ser do seu jeito.
Os dirigentes nem sonhavam com o que estaria por vir. De cara, o novo técnico colocou seus prediletos no time nacional. Elegeu Oliver Bierhoff, ex-companheiro de seleção, como manager, e usou nomes que seus conterrâneos não engoliram, como Mark Verstegen, preparador físico americano. Quando o próprio Klinsmann anunciou que não voltaria a morar em Stuttgart e seguiria a vida em Huntington Beach, na Califórnia, as críticas pipocaram. Era só o começo.
Em campo, o treinador baniu o esquema com três zagueiros e buscou jovens atletas de vocação ofensiva, como o meia Bastian Schweisteiger e o atacante Lukas Podolski, ambos com 21 anos. Depois, anunciou que Oliver Khan, melhor jogador da Copa de 2002, não era mais titular da camisa 1. Jens Lehmann ganhara a vaga.
Era de se esperar sua crucificação, já que a força defensiva da Alemanha figura como um orgulho nacional. Mas Klinsmann não se abalou nem quando tomou um 4 a 1 em amistoso com a Itália, em março. Manteve sua filosofia intacta e incrementou técnicas de motivação aprendidas nos EUA. Chegou a levar o grupo para uma aula sobre como montar relógios na Suíça. O objetivo: melhorar a concentração.
Polêmica ou não, sua metodologia fez o time eficiente. Nos três duelos iniciais da Copa, o ataque anotou oito gols. A defesa levou apenas dois. Já é um feito para quem não figurava como candidato ao cargo. Os preferidos eram Otto Rehhagel, então treinador da Grécia, e Ottmar Hitzfeld, consagrado em clubes locais.

ALEMANHA
Lehmann; Friedrich, Metzelder, Mertesacker e Lahm; Schneider, Frings, Ballack e Schweinsteiger; Podolski e Klose. Técnico: Juergen Klinsmann

SUÉCIA
Isaksson; Mellberg, Lucic, Edman e Alexandersson; Linderoth, Ljungberg, Wilhelmsson e Kallström; Allback (Ibrahimovic) e Larsson. Técnico: Lars Lagerback

Árbitro: Carlos Eugênio Simon (BRA)
Estádio: Allianz Arena, em Munique
Horário: 12 horas

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