Klever Kolberg faz história no Rali Dacar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Amanda Romanelli<br> Agência Estado 
São Paulo - Abrir mão da competitividade é algo difícil para aqueles que estão acostumados a celebrar vitórias. Que o diga o piloto Klever Kolberg. ''Mas quero que, num futuro próximo, não lembrem que estive em meu 22.º Rali Dacar em 2010. Prefiro que lembrem que foi a primeira vez em que se utilizou um carro com etanol''.
Esse é o desafio escolhido pelo piloto gaúcho de 47 anos para o próximo Rali Dacar, que começa sexta-feira, em Buenos Aires: guiar, junto do navegador Giovanni Godói, o primeiro carro movido a biocombustível em 32 anos de prova. Algo que parece simples para quem vive no Brasil e está acostumado com a utilização do álcool. ''E talvez esse tenha sido um dos nossos erros: achar que não seria tão difícil assim'', admitiu o piloto.
A principal dificuldade da equipe Valtra Dakar Eco Team é a de abastecimento. Oito mil litros de álcool saíram de Piracicaba, no interior paulista, para Argentina e Chile. Durante o rali, caminhões-tanque farão o mesmo trajeto do piloto, por meio de rodovias, para garantir o combustível.
''Só por causa da logística, custos de importação, uso do caminhão e taxas, tivemos um aumento de 500% no custo do combustível'', contabilizou Klever. No geral, o projeto saiu 80% mais caro do que se a equipe utilizasse um carro movido a gasolina ou a diesel.
Até concretizar o sonho de usar um carro menos poluente - estima-se em 90% a redução na emissão do dióxido de carbono -, foram pelo menos dois anos. O piloto espera agora que, em mais dois, o combustível já seja usado por metade dos carros em ralis no Brasil.


