Para Klever Kolberg, que vai pelo 12º ano seguido, ao lado de André Azevedo, ao Rali Granada-Dakar (ex-Paris-Dakar), a prova é uma ‘‘bola de Murphy’’: mistura de uma bola de neve de problemas com a lei de Murphy, em que tudo dá errado. Klever já sofreu fratura exposta e colocou 16 parafusos e duas placas de metal no braço direito, em 91.
Também já achou que iria morrer, no ano de estréia, quando um carro atropelou sua moto e atolou em cima de sua perna. Nunca pensou em desistir. Pegou o ‘‘vírus do deserto’’, o gosto pela aventura sem limites.
Klever fará dupla com o francês Pascal Larroque, com um Mitsubishi Pajero, na categoria maratona (carros de preparação limitada). André Azevedo, campeão nas motos, em 91, desta vez correrá de caminhão. Ele levará o navegador checo Tomas Tomecek e a jornalista Leilane Neubarth, a primeira mulher brasileira a participar da prova. O estreante Juca Bala completa a equipe, com uma moto KTM. Em outro time, está o brasileiro Marcelo Fernandes, que sofreu hemorragia do baço e quase morreu na última edição do rali.
Klever e André encontrarão desafios inéditos: Burkina Faso foi incluída no roteiro de 9.022 quilômetros. O percurso terá 16 etapas, com largada em Granada, na Espanha, dia 31, e chegada em Dakar, no Senegal, dia 17. Os brasileiros farão os últimos treinos nas dunas de Arraial do Cabo, nas montanhas de Campos do Jordão e nos terrenos esburacados de Alphaville, antes de viajar, dia 25.
Os locais de preparação são apenas uma microamostra do que a equipe encontrará na África. No deserto do Saara, a temperatura chega a 55 graus. Nas montanhas do Marrocos, cai para 8 graus negativos.

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