São Paulo - Em 2008, Kléber chegou e, com sua raça e muita disposição em campo, às vezes até em excesso, conquistou a torcida do Palmeiras Virou o Gladiador Neste ano, ele voltou ao Palestra Itália para, segundo suas próprias palavras, escrever seu nome na história do Palmeiras Mas voltou diferente O Gladiador virou também o capitão da equipe, o líder de um grupo que ainda é limitado, mas pode crescer muito, conforme disse em entrevista à Agência Estado
Agência Estado - O que está diferente do Palmeiras de 2008 para o de agora?
Kléber - Em relação à estrutura, melhorou muito A cada ano vem melhorando Até porque está um pouco atrasado, pela grandeza do clube Em relação à política, a gente sabe que o Palmeiras sempre teve problema Clube grande funciona desse jeito Mas para mim não interfere em nada A gente não tem nada a ver com isso E com relação ao time, o de 2008 já era uma equipe feita que foi desmanchada no meio do Brasileiro Era tecnicamente muito superior O time de agora tem melhorado bastante, mas tem algumas carências
AE - Mas este grupo está disputando um título internacional, chance que aquele não teve
Kléber - Com aquele time não tivemos a chance de disputar a Libertadores do ano seguinte Mas, com todo respeito, são competições diferentes Agora a gente não enfrentou times copeiros, com grandeza O Atlético Mineiro teve que poupar jogadores e a gente encontrou uma facilidade por isso Talvez a gente encontre uma dificuldade só na final
AE - O grupo tem essa consciência de que é um título, mas numa competição mais fraca?
Kléber - O título é muito importante Mas a gente não encontrou tanta dificuldade Foi um caminho mais fácil para a gente
AE - Em 2008 você não tinha um papel de tanta liderança e agora é o capitão O que mudou?
Kléber - É uma situação diferente Eu vinha da Ucrânia, ninguém lembrava de mim Eu tive de começar tudo de novo com 24 anos E consegui Fiz um certo nome no Palmeiras, pelo meu modo de jogar Depois saí e fui muito bem no Cruzeiro, e acho que isso foi muito importante para mim Quando voltei foi com uma bagagem maior É normal a identificação com o clube e com a torcida
AE - Mas nessa nova fase você já não cria tanta polêmica, está mais calmo É por sua causa ou porque as pessoas se acostumaram ao seu jeito de jogar?
Kléber - As duas coisas Os juízes veem a situação diferente hoje Contra o Goiás, por exemplo, fiz faltas normais e o zagueiro rolou no chão O árbitro, o Evandro Roman, falou que eu podia ficar tranquilo, que não tinha sido nada
AE - Se fosse antigamente teria sido diferente?
Kléber - Talvez o cara já daria um cartão, pelo histórico Hoje até os adversários já melhoraram bastante Mas eu ainda sofro com isso Faço uma falta e o cara cai porque sabe que é o Kléber e que pode pintar um cartão Mas eu também melhorei o meu comportamento Hoje é mais fácil eu tomar cartão por causa de uma reclamação do que com falta
AE - Você sentiu que precisava ter essa mudança de atitude porque estava começando a atrapalhar a sua carreira?
Kléber - Sem dúvida, estava sim Eu tive vários problemas No Palmeiras, nem se fala o tanto de problema que eu tive No Cruzeiro deu uma melhorada, mas também tive Ninguém quer saber se eu levei cartão porque havia tirado a camisa, só fala que foi o Kleber Então eu sabia que precisava mudar
AE - Como é trabalhar com o Felipão?
Kléber - O Felipão tem esse negócio de ser o pai, de querer trazer o jogador para ele, e isso é legal O jogador sente isso, e muitas vezes quer correr para ele Esse é o forte dele É um cara motivador que sabe mexer com o brio dos jogadores A gente ouvia falar e tudo o que falavam dele é verdade Ele sabe passar o que está sentindo e a gente leva para o jogo Tanto é que a gente sabe que nosso time tem limitações, mas muitos jogos a gente vence na raça
AE - Você está satisfeito com seu desempenho?
Kléber - Eu sabia que seria difícil pelas limitações do nosso elenco Às vezes você precisa armar, fazer o gol, e aí é difícil Mas eu vim pelo meu sentimento pelo Palmeiras, por querer estar na minha cidade de novo, pelas minhas filhas, lógico Eu precisava voltar para o Palmeiras porque eu queria ter história
AE - Você pretende ainda voltar para a Europa?
Kléber - Não Só se vier uma coisa absurda Senão, não Penso em encerrar minha carreira aqui, fazer uma história aqui
AE - Se você ficar serão quase dez anos no clube Vai ser mais ou menos como o Marcos
Kléber - Esse sempre foi o meu sonho Meu sonho na verdade era no São Paulo, que eu comecei lá Eu via o Rogério Ceni e meu sonho era ficar e criar uma história ali, mas não foi possível Hoje estou aqui, tenho essa identificação, esse carinho, esse amor pelo Palmeiras Quero fazer uma história legal Mas para isso a gente sabe que tem de conquistar títulos Para mim não importa quem vai ser o melhor em campo, o que importa é ter vitórias e conquistas

mockup