O ex-presidente do Flamengo e empresário Kléber Leite não conseguiu, ontem, explicar à CPI da CBF/Nike porque, em julho de 1999, emitiu um cheque de R$ 150 mil em favor do Sport Recife. Ao ser questionado pelo deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP), ele foi categórico ao afirmar que não fez nenhum negócio com aquele clube que justificasse esse pagamento. O ex-dirigente alegou que o cheque poderia pertencer a um homônimo seu ou, então, que estaria vivenciando uma situação comparável a ‘‘um filme felliniano’’, com argumentos impossíveis de compreender.
‘‘Não posso afirmar aqui que eu fiz o que não fiz’’, retrucou. O ex-dirigente mudou de opinião, ao receber a cópia do cheque. Após reconhecer a assinatura como sua, ele aventou a possibilidade de ter feito aquele pagamento ao Sport ‘‘como garantia do direito de compra de um jogo no estádio naquele clube’’. Ele disse que é falsa a informação de que teria negociado 100 jogadores nos quatro anos de sua gestão.
Kléber Leite foi reticente ao responder às perguntas sobre o contrato de sua empresa, a Klefer Marketing Esportivo, com a Traffic, pertencente ao empresário J. Hawilla, que intermediou o contrato da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com a Nike e a Coca Cola. Ele negou ser sócio de Hawilla. Segundo ele, a Traffic receberia 20% do total acordado nesses contratos, cabendo a ele também receber 20% do total repassado. A uma pergunta do deputado Doutor Rosinha (PT-SP) sobre o local de registro desse contrato, ele disse ter sido no Rio de Janeiro. A cópia do contrato exibido pelo deputado mostra que o registro foi feito no interior de São Paulo, em São Roque, com validade até janeiro de 1995.

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