São Paulo - Em meio à indecisão sobre seu futuro, o atacante Kléber decidiu quebrar o silêncio nesta segunda-feira e comentou pela primeira vez sobre o seu afastamento no Palmeiras. Como de costume, o jogador não fugiu da polêmica e disparou duras críticas ao técnico Luiz Felipe Scolari, sobre quem fez um forte revelação. ''80% dos jogadores (do elenco palmeirense) não gostam do Felipão'', avisou.
''Eu já não tinha mais a vontade de jogar, acordar de manhã e querer treinar. Com o tempo ia me desmotivando. O cara (Luiz Felipe Scolari) acabou com a nossa vontade. E falo com certeza que 80% dos jogadores não gostam do Felipão e 90% dos funcionários não gostam dele também. Agora, a escolha foi da diretoria de ficar com ele e me afastar'', declarou Kléber, em entrevista nesta segunda-feira à TV Bandeirantes, ao comentar sobre a briga que teve com o treinador e provocou sua saída.
A relação entre Kléber e Felipão se deteriorou ao longo do convívio entre os dois no Palmeiras. No início deste ano, o treinador não gostou da atitude do jogador, que participou de uma festa de carnaval enquanto se tratava de uma lesão. Enquanto isso, o atacante nunca escondeu a insatisfação com as críticas públicas do técnico ao elenco palmeirense. Para completar, eles tiveram uma forte discussão há cerca de um mês, após a agressão de torcedores ao volante João Vitor.
''Ele (Felipão) coloca todo mundo contra a torcida com suas declarações, falou que a equipe parecia mulher feia. Ele formou esse elenco, foi ele que fez. Aí veio e disse que em 20 anos de carreira nunca tinha ficado sem conseguir acertar o time. Não dá para entender isso'', reclamou Kléber, que chegou a ser capitão da equipe do Palmeiras durante boa parte da atual temporada.
O atacante ainda reclamou da postura do técnico palmeirense dentro do vestiário. De acordo com ele, Felipão chegou a desmerecer alguns jogadores. ''Ele chegou a citar que não tinha culpa se pedia para contratar o Sheik (Emerson, atacante do Corinthians) e contratavam o Ricardo Bueno. Falou isso na frente do garoto. Agora ele fala que estão perdendo os jogos pelo episódio do Flamengo (quando Kléber pediu aumento salarial e quase foi negociado com o clube carioca). Mas se eu sou tão importante, porque não renovaram meu contrato? Por que não aumentaram meu salário?'', comentou o jogador.
Diante desse clima e até mesmo da dura discussão que teve com Felipão no episódio da agressão ao volante João Vitor, quando foi afastado do elenco, Kléber não fica mais no Palmeiras. Liberado para negociar com outros clubes, o atacante recebeu uma ''ótima'' proposta do Grêmio, como ele próprio definiu, mas pediu tempo para pensar - o prazo dado pelo clube gaúcho para ter uma resposta acaba nesta terça-feira. Sobre um suposto interesse do Corinthians, disse não saber de nada. O certo é que, se puder escolher, o jogador ficará na cidade de São Paulo.
''A proposta do Grêmio é muito satisfatória, eles mostraram muito interesse. Mas algumas coisas pesam para mim, principalmente minhas filhas. Uma delas me ligou ontem (domingo) e falou: 'Pai, você vai embora de novo?'. Já tenho uma estrutura em São Paulo, é minha cidade. Então só preciso pensar um pouco, mas fiquei muito feliz com o interesse'', disse Kléber, que foi atendido em tudo que pediu ao Grêmio, entre salários e garantias. ''O que pesa mesmo é querer ficar em São Paulo. Com todo o respeito ao Grêmio, é complicado. Fiquei na Ucrânia, depois voltei e já fui para Belo Horizonte (jogar no Cruzeiro). Minhas filhas estão crescendo e fiquei muito tempo longe delas'', completou.

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