Discreta e humilde, dona Kiomi Nakagawa, 60 anos, não gosta muito de reportagens a seu respeito, nem de alarde em cima das competições master de atletismo que disputa. Prefere o anonimato, embora no auge de sua carreira, entre 1965 e 1973, tenha ficado conhecida como a principal lançadora de dardo do Brasil. Ganhou cinco vezes o Troféu Brasil e o Campeonato Brasileiro e foi medalha de ouro duas vezes nos cinco Sul-Americanos que disputou.
Hoje morando em uma rua tranquila do Jardim Bancários, Zona Oeste de Londrina, ela divide seu tempo entre as tarefas de casa, as brincadeiras com os netos e os treinamentos na pista de atletismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) - pratica lançamento de dardo, peso e disco. Além da preparação específica para os arremessos, faz musculação e condicionamento físico pela manhã, e aos finais de semana ainda reúne tempo para jogar softbol na Acel.
''Participo ainda hoje de competições porque sempre gostei de esporte. Mas toda pessoa, depois de certa idade, precisa ter atividade física para manter a saúde'', recomenda Kiomi. Ela diz que há muitas vantagens em se praticar esportes. ''A agilidade e o reflexo da gente são outros. O esporte nos revigora e afasta o colesterol e tantas outras coisas ruins'', testemunha ela, que faz, porém, uma ressalva: ''Toda pessoa precisa passar primeiro por uma avaliação médica antes de começar uma atividade física.''
O esporte apareceu na vida de Kiomi antes dos 10 anos, em competições da colônia japonesa na região. Levada para o atletismo pelo seu ex-técnico Orlando Nakashi, aos 13 anos ela estreou em sua primeira competição adulta: os Jogos Abertos do Paraná (JAPs) de 1959. Nos JAPs, representou Londrina (por 20 anos) também no basquete e no handebol.
Mas como seu negócio era mesmo o atletismo, Kiomi foi melhorando as marcas e em 1965 disputou seu primeiro Brasileiro. A partir daí não parou mais e foram centenas de competições, entre elas um Mundial em 1968, no Japão. A próxima grande competição na agenda é um Mundial Master, na Itália, no segundo semestre.
A casa de Kiomi é repleta de troféus, pois, além dela, seus três filhos foram atletas de beisebol e um chegou a campeão mundial. Em uma caixa ela guarda com orgulho cerca de 700 medalhas que acumulou no atletismo. (J.K.)

mockup