Kimi Antonelli se torna, no México, o campeão mais jovem da Fórmula 1
Aos 20 anos e 68 dias, italiano conquista título antecipado e quebra dois recordes: o de vencedor mais novo da categoria e leva troféu para a Itália, que não tinha um piloto campeão desde 1953
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domingo, 01 de novembro de 2026
Aos 20 anos e 68 dias, italiano conquista título antecipado e quebra dois recordes: o de vencedor mais novo da categoria e leva troféu para a Itália, que não tinha um piloto campeão desde 1953
France Presse 

Cidade do México - O italiano Andrea Kimi Antonelli se tornou, neste domingo (1º), o campeão mais jovem da Fórmula 1, aos 20 anos e 68 dias, ao terminar em terceiro lugar no Grande Prêmio do México, vencido pelo holandês Max Verstappen (Red Bull).
O talentoso piloto da Mercedes chegou a 380 pontos na temporada e garantiu o título que a Itália esperava desde 1953, quando Alberto Ascari o conquistou.
Verstappen largou em quinto e acabou vencendo, à frente do britânico Lewis Hamilton, que havia conquistado a pole position e terminou em segundo.
O holandês superou as Ferraris, aproveitou o atraso de Hamilton e uma punição de cinco segundos aplicada a Charles Leclerc.
Verstappen se consolidou como o maior vencedor no Autódromo Hermanos Rodríguez, com seis vitórias.
Natural de Bolonha, Antonelli é apenas o terceiro piloto italiano a se sagrar campeão na Fórmula 1, depois de Giuseppe Farina, na temporada inaugural de 1950, e de Alberto Ascari, bicampeão nos longínquos anos de 1952 e 1953.
O jovem piloto conquista o título logo em sua segunda temporada. Ele estreou em 2025 sem vitórias e terminando em sétimo na classificação. Já este ano, teve um início avassalador, com nove vitórias.
Trajetória
Filho de Elisabetta — que prefere manter-se em segundo plano — e de Marco, ex-piloto e chefe de equipe, Andrea Kimi Antonelli subiu em um kart pela primeira vez aos sete anos de idade.
No entanto, seu pai, ciente das dificuldades que esse esporte pode acarretar, não queria que ele seguisse carreira no automobilismo.
"Quando eu era pequeno, antes de tudo começar, meu pai não queria que eu me tornasse piloto, porque o automobilismo pode ser muito cruel às vezes, especialmente no aspecto financeiro, já que é muito difícil ter sucesso sem o apoio das pessoas certas", contou Antonelli durante uma coletiva de imprensa.
"À medida que fui crescendo, ele me ensinou tudo o que sabia: primeiro sobre as corridas e, agora, sobre a vida. É muito importante tê-lo ao meu lado nos Grandes Prêmios, ainda mais em uma temporada tão importante como esta", acrescentou.
Transbordando talento, Antonelli logo chamou a atenção.
Aos 11 anos, já estava no radar do francês Gwen Lagrue, responsável pelo programa de jovens pilotos da Mercedes.
A escuderia alemã assumiu o comando de sua jovem promessa e o acompanhou em uma trajetória meteórica, na qual ele foi subindo de categoria a passos largos.
Um começo difícil na F1
Campeão europeu de kart em 2020 e 2021, da Fórmula 4 italiana e alemã em 2022 e da Fórmula Regional em 2023, o italiano estreou na Fórmula 2 em 2024 sem passar pela Fórmula 3.
Um ano depois, chegou à F1 e, em 2026, alcançou a consagração com suas primeiras pole positions e vitórias, logo coroadas por um título mundial tão merecido quanto inesperado.
"É difícil expressar em palavras o que sentimos durante as últimas voltas do Grande Prêmio da China, ao vê-lo atacar cada curva que o aproximava de sua primeira vitória na F1. A velocidade é uma coisa. A força mental é outra. No domingo, você provou que possui ambas", elogiou, em março, após seu primeiro triunfo na China, o olheiro francês.
A primeira temporada do italiano na F1, marcada pela falta de referências e experiência, foi irregular e, por vezes, difícil.
Antonelli, sexto colocado na Fórmula 2 em 2024, assumiu o cockpit da Mercedes antes do previsto, após a surpreendente saída do britânico Lewis Hamilton — sete vezes campeão mundial — rumo à Ferrari.
"Desde o início, eu disse que ele tinha um talento enorme e uma grande personalidade, mas que precisaria de uma temporada na F1 para crescer e aprender, passando por momentos muito bons e também por fracassos", disse Toto Wolff à AFP.
"Quando ele passou por uma fase difícil no verão de 2025, alguns começaram a duvidar de que ele pudesse ter sucesso na F1 e a dizer que não deveríamos tê-lo promovido tão cedo", relembrou.
"O segundo ano deveria ser a prova de fogo para mostrar que ele era capaz de apresentar um bom desempenho, e ele conseguiu (...) Ele teve de lidar com a pressão, a mídia e as expectativas. Por isso, é ainda mais gratificante ver o quão bem ele se saiu este ano", destacou o emblemático chefe da Mercedes.
A bênção de Hamilton
Sempre jovial, sorridente e brincalhão, Antonelli se tornou, em menos de dois anos, o grande animador do paddock.
Sempre que participa de uma coletiva de imprensa, ele demonstra seu senso de humor e contagia os outros pilotos, para a alegria dos jornalistas.
Peter Bonnington, seu engenheiro de corrida, que trabalhou anteriormente com Hamilton, já perdeu a conta das brincadeiras que o italiano fez com ele este ano... e das tortas de creme que ele acertou em seu rosto.
O britânico, de 41 anos e sete vezes campeão mundial, viu Antonelli crescer quando ainda corria pela Mercedes e não esconde a admiração que sente por ele. Na verdade, ele já lhe deu sua bênção.
"Ele é extremamente impressionante e merece ser campeão mundial", afirmou Hamilton, que nesta temporada pareceu viver uma "segunda juventude" ao lado do descontraído piloto italiano, alguém que, talvez, um dia possa ameaçar seu recorde de sete títulos mundiais.
Dez momentos mais importantes da temporada do campeão
Dia 14 de março:
Em Xangai, na China, Antonelli conquista a primeira pole position de sua carreira. Aos 19 anos, seis meses e 18 dias, ele se torna o piloto mais jovem da história da Fórmula 1 a largar na primeira posição do grid.
Dia 15 de março:
O italiano vence o Grande Prêmio da China, a primeira vitória de sua carreira na F1. Ele se torna o segundo piloto mais jovem a vencer uma corrida, ficando atrás apenas do holandês Max Verstappen, vencedor do GP da Espanha de 2016 com apenas 18 anos, sete meses e 15 dias.
Dia 7 de junho:
No mítico circuito de Mônaco, Antonelli conquista sua quinta vitória consecutiva em um GP e dispara na classificação do campeonato, com 66 pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton (Ferrari) e 68 sobre seu companheiro de Mercedes, George Russell.
Dia 5 de julho:
Vítima de um problema técnico, o italiano recebe uma punição por exceder os limites da pista e termina em 16º no GP da Grã-Bretanha. Ele emenda sua terceira corrida sem vitória e vê Russell reduzir para 25 pontos a diferença entre os dois no campeonato.
Dia 19 de julho:
Antonelli reage na prova seguinte e vence na Bélgica. Além disso, a sorte joga a seu favor, já que Russell é obrigado a abandonar na primeira volta após ser atingido por Hamilton.
Dia 6 de setembro:
Após receber uma punição pela troca do motor de seu carro, o italiano larga na 19ª posição do grid, mas protagoniza uma recuperação espetacular em Monza.
Com o apoio de dezenas de milhares de torcedores, ele vence o GP da Itália e põe fim a um jejum de 60 anos de pilotos da casa no "Templo da Velocidade".
Dia 13 de setembro:
Mais uma vez favorecido pelas circunstâncias, Antonelli vence o conturbado Grande Prêmio da Espanha, disputado em Madri, depois que o atual campeão mundial, o britânico Lando Norris (McLaren), que tinha tudo a seu favor para ganhar a corrida, acabou prejudicado pela entrada do Safety Car.
O italiano ampliou para 82 pontos a sua vantagem sobre Russell, que terminou na quinta colocação.
Dia 26 de setembro:
Depois de largar em 16º, por ter batido em um muro durante a classificação para o GP do Azerbaijão, Antonelli escapa por pouco do acidente provocado pelo argentino Franco Colapinto (Alpine) e protagoniza mais uma prova de recuperação, terminando em quinto uma corrida que teve Russell como vencedor.
Dia 4 de outubro:
A sorte volta a sorrir para o jovem italiano, que termina em segundo no GP do Bahrein, disputado na Malásia, atrás de Max Verstappen.
Ele aproveita o abandono de Russell, que vinha em terceiro a poucas voltas do fim, e amplia novamente sua vantagem no campeonato para 84 pontos.
Dia 25 de outubro:
Antonelli coloca a mão na taça com sua nona vitória na temporada, no GP dos Estados Unidos, passando a precisar de apenas mais dois pontos dos 125 em disputa.
Dia 1º de novembro:
O prodigioso piloto da Mercedes chegou a 380 pontos na temporada e garantiu o título que a Itália esperava desde 1953, quando foi conquistado por Alberto Ascari.


