''Caminho da espada'' em português, o ''Kendô'' é uma arte milenar japonesa do tempo dos samurais que tem como princípio o uso da espada para defesa e ataque e a aplicação de golpes em pontos vitais do corpo: cabeça, traquéia e região abdominal. O kendô sobreviveu ao tempo e hoje, muito diferente da luta original dos samurais, é praticado por crianças e adultos de todas as idades, com espadas de bambu (quando surgiu eram espadas de metal). ''Pode ser praticado por homens e mulheres dos 7 aos 70 anos'', define o presidente da Associação Kendô Shinko-Kai de Londrina, Valter Oguido.
E para mostrar alguns segredos e caminhos do kendô para o público leigo, a associação promoveu domingo, no Ginásio de Esportes do Sesi, no Jardim Bancários, em Londrina, um evento que marcou os 25 anos de sua fundação. Foi o 3º Torneio Kiyoiti Harada de Kendô, que trouxe à cidade 300 ''kenshis'' (nome dado aos praticantes da arte) de sete cidades do Brasil: Londrina, Curitiba, Brasília, Suzano, São Paulo, Campinas e São Carlos.
Oguido explicou que Kiyoiti Harada, o homenageado, foi o mestre japonês que introduziu o kendô em Londrina, entre as décadas de 30 e 40. Ele viveu até 1998 e deixou o seu legado para as atuais gerações que se esforçam para não deixar a arte milenar se perder na modernidade.
Um exemplo de sucesso no esporte é o londrinense Vitor Tsuda, 15 anos, recém-convocado para a seleção brasileira juvenil, que irá com cinco atletas para um torneio fechado em Tóquio, no Japão, entre os dias 23 de julho e 4 de agosto. Outro orgulho da associação é o médico Wagner Oguido, 28 anos, que disputou, em dezembro de 2006, o Mundial de Kendô para graduados (faixas pretas acima do 3º Dan) pela seleção brasileira.
Uma curiosidade que envolve o kendô é que sua prática foi proibida no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, pelo fato de o Japão ser na época adversário do Brasil. ''Os governantes achavam que o kendô estava preparando os jovens descendentes de japoneses para a guerra. Mais tarde foram entender que a sua prática era apenas filosófica, com o objetivo de se fortalecer a disciplina, a concentração e o caráter do praticante'', contou Valter Oguido.
A luta do kendô nas categorias menores dura poucos minutos, mas pode acabar em apenas alguns segundos. Basta que um dos kenshis marque dois pontos, isto é, acerte dois golpes em uma das regiões permitidas: cabeça, pulso ou abdômen. Só os graduados podem também acertar a traquéia - ponto vital um pouco abaixo da garganta. Para evitar acidentes, os competidores utilizam um traje próprio, de material rígido, que protege o corpo. O traje, importado do Japão, custa cerca de R$ 1,5 mil e inclui uma espécie de capacete, semelhante ao utilizado na esgrima.

SERVIÇO - Quem quiser saber mais sobre a arte ou praticá-la, pode procurar a Associação Kendô Shinko-Kai, na Rua Oiapoque, 85, Vila Nova - fone (43) 9993-1516.

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