Keirrison: nascido para marcar gols
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Dimas Rodrigues<br>Equipe da Folha 
O jogo contra o Sport, no encerramento do Campeonato Brasileiro, não valia nada para o Coritiba. Mas aos 31 minutos do primeiro tempo, Keirrison recebeu na entrada da grande área, e, vigiado de longe pelo trio defensivo, dominou a bola, ajeitou o corpo e com frieza e categoria, tocou rasteiro no canto esquerdo do goleiro. A partir dali, a partida valia muito para o Coritiba e tinha valor imensurável para o jovem goleador.
Keirrison, aos 20 anos, chegava à marca de 21 gols no Brasileiro e se tornava o primeiro artilheiro do Coxa em campeonatos nacionais. E mais. Com outros 20 gols que havia feito ao longo do ano, K9 se consagrou como o maior artilheiro da temporada e também o mais jovem a conquistar tal façanha - Roberto Dinamite, goleador em 1974, também tinha 20 anos, mas ao alcançar o feito era alguns meses mais velho do que Keirrison.
O jogador despertou a cobiça de grandes clubes europeus e ganhou muitos prêmios, entre eles a Chuteira de Ouro, oferecida pela revista Placar e pela ESPN. Se isso tudo já não é mais novidade, poucos sabem que a revelação de 2008 do futebol brasileiro tem no DNA a sina de matador. Keirrison é filho do ex-jogador Adir, que na década de 80 não conquistou tanta fama como o filho, mas escreveu o nome na história do Operário/MS como o segundo maior goleador da equipe. ''Fiz mais de 300 gols na carreira'', contabilizou, orgulhoso.
Ao pendurar as chuteiras, ''seu'' Adir começou a dar aulas em uma escolinha de futebol e lá percebeu que não seria o único da família a ser jogador profissional. ''Desde os cinco anos eu já via qualidade nele. Eu achava isso, 'O Keirrison vai ser jogador, e dos bons', mas guardei para mim, porque como pai, a gente sempre imagina...'', lembrou.
Com talento nato para balançar a rede, Keirrison começou a se aperfeiçoar. E as primeiras lições foram duras. ''Falavam mal de mim aqui, que eu não gostava dele, que judiava. Foi tipo aquele filme 'Tropa de Elite', mesmo'', confidenciou ''seu'' Adir. ''Mas eu também no começo não gostava do professor no Operário, mas depois eu vi que era para o meu bem, para eu crescer'', emendou.
O treinamento era intensivo e pragmático. ''Só finalização eu treinava com ele. Só finalização'', ensinou o pai-treinador. A principal lição para Keirrison foi aprender que dentro de campo, para um atacante, não existem 11 jogadores contra ele. ''Para ele ia ter apenas dois zagueiros e um goleiro. 'O resto não é seu adversário', eu falava para ele''.
Keirrison parece ter aprendido a lição. ''Treinava bastante finalização mesmo e procuro treinar no dia-a-dia para cada vez mais ficar preparado para o jogo'', disse o filho de ''seu'' Adir, que está de férias em Dourados, ao lado da família.
Com a bagagem lotada de troféus, K9 se vê recompensado pelos incessantes treinos repassados desde cedo pelo seu primeiro treinador. ''Todo mundo passa por sacrifício, mas lá na frente se dá valor. Hoje eu sei que valeu por tudo que está sendo conquistado'', disse o atacante, que dividiu as conquistas com todos que o ajudaram. ''Todo mundo faz parte disso. A felicidade é muito grande, e não fosse a ajuda dos companheiros eu não seria o artilheiro em um campeonato tão disputado, tão difícil como o Brasileiro'', emendou.
Com contrato até abril do ano que vem no Coxa, mas pretendido pelo Palmeiras e sondado pelo futebol europeu, o destino de Keirrison é incerto. A única certeza é de que desde pequeno ele já trilhou sua trajetória: a de ser, onde for, o principal goleador.


