São Paulo, 21 (AE) - Rubens Barrichello, Christian Fittipaldi e Tony Kanaan fizeram de tudo, no fim de semana, para tentar repetir a vitória do ano passado nas 500 milhas de kart da Granja Viana, mas não conseguiram: a equipe dos pilotos da Fórmula 1 e Fórmula Indy terminou a conceituada prova na segunda colocação. Em primeiro ficou a escuderia Dirani, formada por alguns dos melhores kartistas do País.
Quando a largada tipo Le Mans foi autorizada, sábado às 22h45, Rubinho, o pole position, e Felipe Giaffone, segundo no grid, caíram para o grupo que nem aparecia no placar eletrônico da pista, do décimo lugar para trás. O asfalto ainda estava molhado e Rubinho e Felipe tinham pneus lisos no kart, destinados para piso seco. O que parecia uma estratégia completamente equivocada, no entanto, mostrou-se acertada. Pouco antes do primeiro pit stop, depois de uma hora e meia de prova, os dois já lideravam a competição. "Foi divertido, o asfalto começou secar e eu passava todo mundo", disse o ex-piloto da Stewart.
"Numa corrida com pouco mais de 12 horas a regularidade associada a um bom ritmo é a chave para vencer", explica Zequinha Giaffone, proprietário do circuito e organizador do evento. A edição deste ano contou até com um time francês e outro português, que a concluíram em 18º e 23º, respectivamente. Nada menos de 43 equipes disputaram a terceira 500 Milhas da Granja Viana. Apesar de mais de 200 pilotos estarem envolvidos na competição, ninguém se feriu nos muitos acidentes, todos leves, da prova. Todos correm com o mesmo chassi produzido pela ZF equipado com dois motores Honda de 5,5 cavalos cada.
Quase todos os inscritos em algum momento acabaram batendo em algum adversário ou num obstáculo. No início da madrugada, Christian não teve como evitar o choque contra um retardatário atravessado no meio da pista. Mais tarde, primeiro nas mãos de Christian e depois quando Rubinho conduzia, dois cubos das rodas traseiras quebraram também.
Como os pilotos da Dirani, todos muito velozes, não enfrentaram grandes perdas de tempo nos boxes, a vitória acabou com eles: Danilo Dirani, 17 anos, três vezes campeão brasileiro; Sérgio Gimenez, 15 anos, atual campeão norte-americano de kart e campeão brasileiro no ano passado; Alan Hellmeister, 14 anos, campeão brasileiro da Júnior Menor, ano passado; Felipe Maluhy, 17 anos, campeão paulista da Novatos em 1997, além de Thiago Cusin e Fernando Lemos.
Rubinho embarca domingo para a Itália, onde dias 1, 2 e 3 faz os primeiros testes com o carro da Ferrari. "Confesso que a cada dia sinto-me um pouco mais ansioso", disse hoje. Correr de kart representa, além de excelente exercício de manutenção e desenvolvimento dos reflexos, "uma terapia", como definiu. "Foi aqui, nessa pista, no final de 1996, que renasci para esse negócio de correr", contou. "Eu saí da Jordan meio perdido e iria recomeçar praticamente minha carreira na F-1, na Stewart", lembra. "Minha autoconfiança estava lá embaixo."
A família Giaffone o convidou para disputar um tradicional torneio que o kartódromo promove no fim do ano, que tem o caráter de um campeonato brasileiro, ainda que não oficial. "Eu larguei lá atrás por não ter treinado, pois chegara da Europa, e no meio de um monte de feras cheguei em segundo", fala Rubinho. "A partir desse dia eu acho que retomei meu amor próprio, e fui para a o trabalho na Stewart vendo-me de outra forma."
Rubinho não tem dúvida de que aquela prova, na mesma pista onde hoje terminou também em segundo, foi um marco na sua carreira. "Ela tem responsabilidade até nessa minha ida à Ferrari."

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