Karpov vem ao Brasil e visita jovem enxadrista
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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Valéria Zukeran 
Americana, 24 (AE) - O empate obtido pelo jovem enxadrista brasileiro Giovanni Vescovi em uma partida realizada em outubro do ano passado, durante uma competição em Cap dAgdem
na França, trouxe para o Brasil um dos maiores nomes do xadrez, ex-campeão mundial Anatoly Karpov, da Rússia. "Após o jogo, nos reunimos para analisar os lances, e ele manisfestou a vontade de vir ao Brasil para que estudássemos juntos", conta Vescovi, de 21 anos.
Terça-feira, Karpov desembarcou no País para encontrar o enxadrista brasileiro, com quem vai estudar durante uma semana em uma praia do Litoral Norte do Estado. Paralelamente, o russo participará de algumas cerimônias oficiais no Brasil, como o encontro com o governador Mário Covas, com o objetivo de incentivar o ensino do xadrez nas escolas. "Em Nova York fizeram uma experiência interessante em duas escolas do Harlem", conta Karpov. Segundo ele, foram necessários dez anos de trabalho, mas os resultados foram animadores.
"Os problemas disciplinares diminuiram, os alunos passaram a ter melhor desempenho e hoje são os campeões da liga escolar dos Estados Unidos."
Em sua visita ao Brasil, que começou hoje em Americana, onde mora Vescovi, Karpov espera esquecer por alguns dias sua briga política com a Federação Internacional de Xadrez (Fide). Ele reivindica na justiça o direito de disputar o título mundial contra o seu compatriota, Alexander Khalifman. "A Fide vem adiando as audiências o quanto pode, até porque não tem como justificar a recusa, mas a data final para um pronunciamento será em 1º de dezembro", conta o russo.
Para Vescovi, a oportunidade de estudar com um dos maiores nomes do xadrez mundial é um incentivo que compensa a falta de apoio que os enxadristas do país recebem. "Poderia estar me desenvolvendo mais se tivesse patrocínio para ficar na Europa dois meses por ano treinando e participando de competições, mas estou conseguindo bons resultados nos poucos eventos que participei no exterior, como o empate com Karpov e a conquista do Mundial sub-20", diz o enxadrista, que está entre os 20 melhores do mundo entre os grandes mestres com menos de 22 anos.
DOPING - A perspectiva do xadrez tornar-se esporte olímpico a partir dos Jogos de Atenas anima Karpov, mas o enxadrista alerta que para o sucesso da iniciativa será necessário combater um peculiar tipo de doping no esporte. "Mais do que qualquer medicação, o doping mais sério nas partidas de xadrez é o uso de computadores", diz.
O enxadrista aprova o uso da tecnologia para os treinamentos e costuma participar de disputas via internet, mas alerta que enxadristas, tentam burlar as regras do esporte, que proíbem qualquer contato durante uma disputa, usando o computador.
Sobre a resistência de muitos atletas em aceitar o xadrez como esporte, o russo tem uma resposta rápida. "Fizeram um estudo comparativo na Universidade da Pensilvânia e descobriram que o gasto de energia de um enxadrista durante uma partida é praticamente o mesmo de um jogador de futebol americano em um jogo."


