Karatecas lutam por vagas no Pan de 2007
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domingo, 05 de fevereiro de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
''Sou brasileiro. Não desisto nunca''. O slogan, tema de campanha publicitária do governo federal, se aplica perfeitamente ao atleta, ex-ensacador, ex-vidraceiro e ex-metalúrgico Robson Dias, 27 anos, de Sertanópolis, que treina karatê há dez anos e sonha, em meio às adversidades, em participar dos Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007.
Ele e outro atleta da Academia Oguido Dojo, Alberto Nishimura, 22, são os karatecas do Norte do Paraná com boas chances de garantir vaga no Pan e que participarão das seletivas da Confederação Brasileira de Karatê (CBK), a partir deste mês. A primeira será no dia 28, em São Paulo. Serão quatro etapas ao longo do ano para a escolha dos representantes brasileiros nos Jogos de 2007.
Dias é um personagem distinto dos demais, porque nada na vida favoreceu sua permanência no karatê. Ele persistiu por gostar mesmo da arte marcial. Quem o vê, não imagina que é um karateca. Pelo físico, passa mais por um boxeador, um lutador de capoeira ou mesmo jogador de futebol. ''Antigamente o karatê tinha muito descendente de japonês. Agora quase não tem. As turmas são bem misturadas e a maioria são 'brasileiros' mesmo, como eu'', comenta.
Nascido em Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina), no seio de uma família humilde e de raízes rurais o pai era ensacador e a mãe, dona de casa Dias começou a trabalhar aos 13 anos para ajudar nas despesas de casa, afinal eram seis pessoas na família. ''Lá em Sertanópolis trabalhei em granja de frango, em armazém da Valcoop, da Corol, e também em fábrica de confecção. Já fiz de tudo um pouco. Onde precisava de gente eu ia trabalhar'', conta.
Robson descobriu o karatê aos 17 anos, pelas mãos do técnico Pedro Braz, de Sertanópolis, com quem treinou até os 21. ''Quando o meu 'sensei' foi embora para a Espanha, fiquei sem treinador. Daí larguei tudo em Sertanópolis e vim para Londrina para continuar a treinar aqui''.
Economizar passe Quando chegou à cidade, Dias se instalou em um pensionato perto do Estádio VGD e todos os dias ia a pé até uma academia no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste) para treinar. Logo arrumou emprego em uma vidraçaria na Avenida Tiradentes, onde trabalhava durante o dia. À noite desfrutava das aulas de karatê. ''Saía da academia e caminhava quase uma hora à noite até chegar em casa, para economizar o passe. Mas nunca deixei de treinar'', recorda.
Dois anos depois perdeu o emprego e, como não tinha como se manter e nem pagar aluguel, pediu ao seu técnico, Marcelo Oguido, para dormir na academia. O treinador consentiu e desde então Dias fez do tatame a sua cama e do vestiário o seu guarda-roupa. ''De dia saía para procurar emprego ou fazer bico, comia marmitex ou lanche, e à noite voltava para treinar e dormir na academia. Passei muita necessidade, porque só ganhava uns R$ 30 por semana. A situação só foi melhorar quando arrumei emprego numa metalúrgica'', relembra o atleta.
Atualmente, Dias trabalha na casa de um médico que também treina karatê e cujos filhos (três) estão iniciando na arte marcial. Lá ele faz de tudo: limpa piscina, cuida do jardim, dos cachorros, corta grama, cuida das crianças e nas horas vagas estuda foi assim que passou no vestibular e começará, no próximo dia 13, o curso de Educação Física na Unopar. Sua intenção é um dia ser treinador de karatê. ''Vou fazer o curso porque aqui em Londrina todo mundo tem estudo e sei que até para ser técnico de karatê hoje precisa ter o Cref (registro no Conselho Regional de Educação Física)'', diz ele, consciente.


