Marcos Freitas
De Curitiba
A recente conquista de medalhas no Pan-Americano do Canadá, pela equipe brasileira de karatê, é mais um estímulo para que a modalidade possa angariar ainda mais atletas no Brasil. Isto porque o esporte ficou mais atrativo para os seus admiradores depois de ser incluído, no mês passado, no rol das modalidades olímpicas, reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em Sidney, no ano 2000, o karatê entra pela primeira vez como esporte de demonstração.
O karatê é uma arte marcial milenar que tem origem no Japão e é considerada por muitos praticantes uma filosofia que prega a disciplina, o respeito e o autocontrole, inibindo a agressividade e quaisquer tendências à violência gratuíta. O esporte tem muitos adeptos no Paraná e, segundo números oficiais, existem mais de 20 mil karatecas no Estado.
A alegria dos karatecas de todo o mundo com o reconhecimento do esporte pelo COI veio acompanhada de uma dúvida para leigos e praticantes: existe um karatê oficial ou todos os estilos e escolas dão direito aos seus alunos e atletas sonharem com uma participação nos Jogos Olímpicos?
Para o diretor técnico da Confederação Brasileira de Karatê (CBK), Aldo Lubes, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) só reconhece as federações aprovadas pelo órgão, que são subordinadas à CBK e às respectivas federações estaduais. A do Paraná é presidida por Roberval Batista.
Para ser considerada oficial, a escola precisa ainda que seus professores sejam graduados com o terceiro grau (dan), ou ainda serem faixas-pretas supervisionadas por um 3º dan. As exigências servem para preservar o esporte que possui uma infinidade de estilos, ou ‘‘escolas’’, que se caracterizam por modificações nos golpes, posicionamentos e técnicas de luta.
Esses estilos são uma espécie de marca pessoal dos professores que os fundaram. Com a falta de uma legislação específica para proteger o karatê dessas modificações, os estilos se multiplicaram. A entidade oficial no mundo só reconhece quatro estilos: Shotokan-Ryu, Goju-Ryu, Wado-Ryu e Shito-Ryu.
Paranaense brilha - O Paraná quer se tornar um celeiro de bons karatecas e alguns resultados em competições importantes vêm mostrando que isso pode mesmo acontecer. Na última etapa da fase Campeonato Sul-Brasileiro de Clubes de Karatê, realizada em Pomerode/SC, no começo do mês, o Paraná ficou com a terceira colocação. Os atletas paranaenses competiram com cariocas, paulistas, catarinenses e gaúchos nas categorias adulto (masculino e feminino), júnior (masculino) e juvenil (masculino e feminino).
Um promessa de bons resultados para o Paraná é a guarapuavana Hérica Raimundo, de 16 anos. Karateca há seis anos, ela foi a primeira colocada no Campeonato Brasileiro, categoria juvenil, disputado no mês passado em Ituiutuba, Minas Gerais. Hérica, que recebe uma bolsa de estudos do Colégio Barddal, onde estuda em Curitiba, competiu na modalidade Kobudô (Shotokan- Ryu), competição que simula uma luta imaginária com bastão. Com o resultado, a atleta está pré-classificada para o Mundial a ser disputado na Itália, em maio do ano 2.000.
No começo do ano ela conseguiu o principal título da carreira, quando venceu o Pan-Americano da categoria realizado em Curitiba. Com poucos recursos financeiros, a atleta espera um patrocínio que a leve para outras competições. ‘‘Só com a ajuda da família está muito difícil continuar’’, revela a atleta, que também recebe apoio da empresa Casa Construção em suas viagens.

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