É no final do dia que a turma de 35 alunos do professor Cesar Augusto de Oliveira se reúne para aprimorar suas habilidades no karatê, na cidade de Luiziana, a 64 quilômetros de Campo Mourão (Centro).
O grupo é formado por crianças e adolescentes, entre 9 e 17 anos, que fazem parte da rede pública de ensino do Município. São jovens que dificilmente teriam a oportunidade de pagar para aprender uma arte marcial, até que Oliveira chegou na cidade com o projeto ''Karatê Vida'', há cerca de dois anos. Vestidos com os quimonos que a própria comunidade ajudou a comprar e com os pés no tatame da sede do projeto, eles têm a oportunidade de ter mais qualidade de vida.
Oliveira já era conhecido pelo trabalho, mas não em Luiziana. Em 1996, ele começou o projeto, com o mesmo nome, em Campo Mourão, que durou quatro anos e chegou a ter aproximadamente 200 alunos. ''Antes eu dava aulas em clubes particulares e resolvi fazer alguma coisa por aqueles que não tinham as mesmas oportunidades'', declara o karateca, que quando era mais novo chegou a fazer parte da seleção paranaense da modalidade.
Quando levou o projeto para Luiziana, Oliveira conseguiu do município um terreno e com seus próprios recursos construiu a sede do projeto.
Mas havia mais gente disposta a ajudá-lo e com o tempo ele foi conseguindo patrocinadores, gente da própria comunidade, comerciantes e até antigos apoiadores de Campo Mourão, que contribuíram para a compra de uniformes e equipamentos.
Além disso, o projeto recebe doações de cestas básicas. No começo era uma por aluno, que no fim do mês eram distribuídas para aqueles cujas famílias têm menores condições financeiras. O volume de doações aumentou e agora, além desses alunos, as entidades assistenciais da cidade são beneficiadas. De acordo com o professor, no último mês, foi distribuído um total de 71 cestas, sendo 25 para o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Luiziana, que direcionou-as para famílias cadastradas.
Além da solidariedade, Oliveira destaca as mudanças que o projeto provocam no dia a dia dos jovens lutadores. Muitos tinham problemas de comportamento e até dificuldades de aprendizado na escola, mas com o tempo mostraram como a prática e filosofia de uma arte marcial podem ser transformadoras. ''Os pais e professores são bem participativos e me passam como mudou o comportamento de alguns alunos, em casa e sala de aula. É muito gratificante'', declara Oliveira.
Entre os karatecas, a maioria já está na faixa laranja, mas também há vários iniciantes. De qualquer forma, logo os alunos do professor Cesar devem ter um estímulo a mais para se dedicar ao karatê. ''Daqui uns dois ou três meses quero começar a colocar alguns deles em competições e acredito que há atletas que têm condições de chegar a uma seleção paranaense'', finaliza.

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