A julgar pelos primeiros testes de pré-temporada na equipe Tasman de Fórmula Indy, o baiano Tony Kanaan, de 23 anos, vai confirmar a fé que o tricampeão Nelson Piquet bota em seu talento. Para Piquet, Tony faz parte da nova geração de pilotos que pode quebrar, em curto prazo, o jejum de títulos do Brasil nas duas categorias de elite do automobilismo. O jejum já dura sete anos - desde o tri de Ayrton Senna na F-1, em 91.
Campeão da Indy Lights, Kanaan estreará na Indy no GP de Miami, dia 15 de março, no mesmo time que projetou André Ribeiro. Com a saída de André para a Penske, Tony herdou os patrocinadores do carro e livrou-se da obrigação de levar milhões de dólares para correr. Agora, se concentra só em pilotar. Já fez 11 testes com o Reynard-Honda, com resultados promissores.
No misto de Firebird, Kanaan ficou só a 0s3 do campeão Alessandro Zanardi. No oval de Fontana, atingiu 379 km/h, 8 km/h abaixo do recorde de velocidade de Maurício Gugelmin. No misto de Homestead, quebrou o recorde de Jimmy Vasser em meio segundo, assinalando 1min08s4. Esta semana, fez o primeiro teste do Reynard 98 com o novo motor Honda HRK em Phoenix.
Kanaan tenta frear expectativas exageradas, mas já venceu a desconfiança de muita gente. A Honda, que não queria um estreante, agora o trata com respeito. A Firestone está tão entusiasmada que o convidou para correr as 24 Horas de Daytona com um Mustang. E o patrão Steve Horne, que o prendeu com um contrato de cinco anos, é só sorrisos. ‘‘Temos dois ingredientes fundamentais para vencer corridas: estabilidade no time e um piloto muito rápido’’.
Kanaan tem como primeiro objetivo vencer uma corrida no ano de estréia. Sabe que pode alcançar mais, mas lembra que ainda está aprendendo. ‘‘A adaptação ao carro de Indy é muito dura tanto física quanto mentalmente’’, explica.

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