São Paulo - Kaká pode dar hoje o passo financeiro mais importante de sua carreira. O pai e procurador do meia-atacante, Bosco Leite, deve se reunir com os cartolas do Milan para acertar a transferência do melhor do mundo de 2007 para o inglês Manchester City.
A quantia oferecida ao clube pelo atleta é a maior da história: cerca de 110 milhões de euros (R$ 338 milhões). Para Kaká, 26, somente em salários, são mais de R$ 44,5 milhões por ano. A reportagem apurou com pessoas ligadas ao Milan que a transferência já é dada como certa.
E que a declaração de Kaká, no início da semana, de que havia recusado e oferta e queria envelhecer no Milan, não passou de jogo de cena para tentar acalmar a torcida do clube.
O argumento é o de que Kaká, se recusar a proposta, não terá mais clima para atuar no Milan, apesar dos apelos dos torcedores. O próprio primeiro-ministro italiano e também dono do Milan, Silvio Berlusconi, afirmou que é ''muito difícil'' não vender o jogador.
Gente próxima a Kaká alega que, se o Milan pressioná-lo, ele aceitará a proposta do City, mesmo tendo dúvidas sobre o clube em relação a sua capacidade de se tornar uma potência do futebol europeu. E o Milan, seduzido pela oferta milionária, tem feito força para que Kaká deixe a Itália.
O vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, confirmou o encontro com o pai de Kaká hoje. ''A decisão que for tomada será de comum acordo entre o clube e o jogador'', disse.
Sábado, após a vitória sobre a Fiorentina, por 1 a 0, Kaká abraçou quase todos os companheiros. Depois, teria ido às lágrimas no vestiário. Isso foi encarado como gesto de despedida do atleta brasileiro.
No estádio San Siro, a torcida, em coro, pediu a permanência do ídolo. Também exibiu faixas e cartazes exaltando Kaká. ''Não foi uma despedida. Apesar de as coisas estarem evoluindo, não há nada acertado ainda'', declarou o técnico do time, Carlo Ancellotti.
Companheiro de Kaká e também estrela internacional, o inglês David Beckham, que ficará no Milan até março, orientou o brasileiro a seguir na Itália. ''Dinheiro não é tudo.''
Conhecido por suas tacadas de marketing, ele deixou o Real Madrid para atuar no pouco expressivo futebol dos EUA em troca de uma fortuna. Segundo a revista ''Sports Ilustrated'', Beckham é o esportista não americano mais bem pago do planeta, com cerca de US$ 40 milhões anuais (cerca de R$ 88 milhões), entre salários de seu clube, o LA Galaxy, e muitos contratos publicitários.
Atualmente, Kaká ganha cerca de R$ 25 milhões anuais no Milan. Se aceitar a proposta do City, a imprensa inglesa afirma que seus vencimentos anuais poderiam chegar a R$ 96 milhões, o que o tornaria o jogador mais bem pago do mundo.

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