Durban - Como prometeu após a sua expulsão no jogo contra a Costa do Marfim, Kaká acelerou seu ritmo de treino visando a partida do Brasil nas oitavas de final. Quer voar na fase de mata-mata. A comissão técnica sabia que a parada forçada do melhor jogador da seleção prejudicaria sua retomada de ritmo na África do Sul, um esforço que começou lá atrás, no dia 21 de maio, quando a delegação se juntou em Curitiba antes de partir para sua 19. Copa do Mundo.
O sinal de alerta foi acionado com vistas a não deixar que o jogador recuasse fisicamente em sua caminhada. No trabalho preparado para ele ninguém pensou na possibilidade de uma expulsão no meio do caminho, até porque Kaká não carrega consigo características para isso. Mas o cartão vermelho de domingo o fez ficar fora do confronto de sexta-feira com Portugal, o terceiro da primeira fase da competição. E como o jogador fez falta. Sem ele, o Brasil foi um time comum.
Foi péssimo para ele não ter atuado também. O jogador do Real Madrid vinha mostrando bom crescimento e recuperação considerável de sua forma física e técnica. Havia sido melhor e mais eficiente contra os marfinenses, com participação direta em dois gols, que diante dos norte-coreanos na estreia.
Sua evolução era festejada por todos da comissão técnica, além dos companheiros, claro. Não há dúvidas de que com Kaká o Brasil tem mais chances. O jogador sempre soube das condições que chegou à África, embora somente depois da primeira partida tenha admitido sua falta de confiança e receio em atuar. ''No começo, na estreia, você sempre fica com mais receio. Eu tive receio. Mas depois peguei confiança'', disse após os 2 a 1 diante da Coreia do Norte.
Desde que chegou a Johannesburgo, Kaká sempre esperou as três primeiras apresentações da seleção para voltar a ser ele mesmo, se não no auge de sua condição ao menos pronto para responder às expectativas com sua participação. Ele chegou ao Mundial tão valorizado quanto Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Juntos, são as três estrelas da competição sul-africana.
Para que Kaká não perdesse o condicionamento adquirido, o preparador físico Paulo Paixão o fez suar a camisa no treino da última quinta em Durban. Ele trabalhou muito mais que os outros jogadores que teriam de atuar na sexta no Moses Mobhida. Brincou no rachão e depois voltou a correr no circuito preparado exclusivamente para ele. Também foi submetido aos exercícios de força, como já estava previsto em sua recuperação.
Mas Dunga sabe que nada que ele faça com o jogador terá o mesmo resultado de uma disputa de 90 minutos. Por isso que ele deverá fazer na manhã deste domingo algum trabalho de bola ou mais um pouco de físico para não perder o que já tinha ganhado antes. Ter um coletivo seria ótimo para condicioná-lo. ''Mesmo não jogando, tenho de continuar fazendo o meu trabalho até como forma para incentivar os demais'', disse o meia ainda no Soccer City, horas depois de sua expulsão. Agora, é recuperar o fôlego e as passadas e fazer a diferença para o Brasil no primeiro mata-mata do time na Copa. Ele veio para isso.

mockup