A cervejaria Kaiser, através de seu vice-presidente nacional, Carlos Eduardo Jardim, disse ontem, em entrevista coletiva, em Curitiba, que nunca recebeu qualquer proposta da Federação Paranaense de Futebol (FPF) para patrocinar o Campeonato Paranaense da Série A-1 de 1999.
‘‘Nunca fomos contatados pela Federação Paranaense ou mesmo qualquer clube’’, afirmou Jardim. ‘‘É uma pena que uma informação errada tenha sido veiculada livremente pelos meios de comunicação do Estado’’, reclamou.
Jardim disse ainda que, se houvesse uma proposta, a cervejaria teria ‘‘prazer em apreciar o pedido’’. Ele informou que no orçamento da empresa para este ano não está prevista verba para este tipo de negócio. ‘‘porém, se for rentável para nós, a hipótese não está descartada’’, afirmou.
O presidente da FPF, Onaireves Rolim de Moura, disse que não houve mesmo um contato da entidade com a cervejaria para a proposição do patrocínio.
Moura informou que o empresário Bruno Balcimeri, da PWA, empresa que fornece ingressos para alguns clubes paranaenses, é que estava nas negociações.
A Kaiser nega que tenha sido procurada por ele. ‘‘Se nós quiséssemos fechar um contrato com a Federação iríamos pessoalmente tratar com eles, não conversaríamos com intermediários, pois assim ficaria bem mais cara’’, disse Rinaldo Dalaqua, diretor de marketing da Kaiser no Paraná.
A Folha procurou o empresário para saber a versão dele sobre os fatos, mas as ligações não foram retornadas.
Onaireves Moura disse ainda que o contrato com a Kaiser não foi fechado porque a informação vazou e atrapalhou as negociações.
No entanto, ele disse que já tem um novo patrocinador para o campeonato. Moura não quis adiantar quem será pois teme ações dos ‘‘inimigos do futebol paranaense’’. Ele afirmou que em 10 dias anunciará o nome do novo patrocinador.
Até agora, além da confusão com a Kaiser, a Federação Paranaense de Futebol também perdeu o apoio do governo estadual, que iria trocar notas fiscais por ingressos. Os clubes da capital já elegeram como prioridade a Copa do Brasil e a Copa Sul antes do Paranaense.
Moura se defende dizendo que a Copa Sul deve terminar em poucos dias e que a Copa do Brasil vai ser mesmo disputada paralelamente ao Estadual dependendo das atuações das equipes paranaenses no torneio.
‘‘Por isso só marcamos jogos para os finais de semana’’, disse. Sobre as já constantes mudanças de datas, Moura disse que é um direito dos clubes e cabe a ele como presidente da FPF acatar.
O presidente da Federação aproveitou para atacar o Secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis.
Segundo Moura, o secretário está equivocado com os números apresentados para a imprensa. ‘‘Não pedimos R$ 8 milhões como ele disse. Foram propostos R$ 2 milhões para a primeira divisão e R$ 1 milhão para a segundona’’, disse.
‘‘Mas ainda não desistimos desta parceria com o governo do Estado e vamos procurar o secretário para explicar melhor nosso projeto’’, informou.
Giovani Gionédis alegou anteontem à Folha falta de provas de que a troca de notas fiscais por ingressos incrementaria a arrecadação do Estado. ‘‘Pelo que analisamos até agora, nada indica que a arrecadação iria aumentar’’, disse o secretário, prometendo estudar a situação para o próximo ano.
Moura falou ainda que em Pernambuco a arrecadação aumentou oito por cento com esta promoção que, segundo ele, tem o apoio de várias lideranças comercias daquele estado.
‘‘Os lojistas, por exemplo, apóiam a idéia, pois o consumidor compra os produtos nos lugares que emitem notas fiscais, fugindo da economia informal’’, justificou Moura.

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