Kaio Márcio no caminho para se tornar top
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sábado, 22 de abril de 2006
Michel Castellar<br>Agência Estado 
Rio - Alçado aos hall das celebridades desde que se tornou um recordista mundial em dezembro de 2005, o nadador Kaio Márcio de Almeida não se iludiu com o sucesso e diz que ainda há muito a evoluir em sua modalidade. O novo astro do esporte mantém o perfil de ''good boy'', que lhe trouxe a fama, e não tem problemas em conciliar os treinamentos com a rotina social de um jovem de 21 anos.
As medalhas de prata nos 200 metros, estilo borboleta, e no revezamento 4 x 100 m medley, além da de bronze nos 100 m borboleta nos Jogos Pan-Americanos de São Domingos, em 2003, foram os indícios de que Kaio Márcio estava no caminho certo para ser tornar um dos melhores nadadores do Brasil. E dois anos depois, começou a colecionar feitos ainda maiores.
Em dezembro de 2005, em Santos, Kaio Márcio surpreendeu ao estabelecer o recorde mundial dos 50 m borboleta, 22s60, de piscina curta (25 m), e ainda se tornou o maior medalhista brasileiro em uma edição da Copa do Mundo de Natação, com um total de nove medalhas de ouro. Na história da competição, o atleta paraibano colecionou 11 primeiros lugares e está próximo de superar a melhor marca do País, do ex-nadador Gustavo Borges, 15.
Os bons resultados começaram a despertar a cobiça das universidades americanas, ávidas por verem Kaio Márcio treinar em suas piscinas. Mas o atleta, natural de João Pessoa, rechaçou qualquer possibilidade de deixar o Brasil e seu treinador, Léo Arruda.
''Bati um recorde mundial treinando na Paraíba e não vejo necessidade de mexer no que está dando certo'', disse Kaio Márcio. ''Tanto o Crocker (Ian, o americano ex-detentor do recorde mundial dos 50m borboleta) quanto o Phelps (Michael, americano campeão olímpico nos 100 m e 200 m borboleta) treinam como eu: sozinhos em uma piscina.''
Kaio Márcio compete pelo Nikita/Sesi, de Pernambuco, mas treina no Clube Cabo, da Paraíba, onde mantém a parceira com o técnico Léo Arruda e tem à disposição uma piscina de 25 m e outra de 50 m (longa). Uma história que começou aos nove anos, quando passou a nadar para ajudar no tratamento de sua bronquite asmática. Nem mesmo a vinda para o Rio, onde passou três anos no Flamengo, interrompeu a parceria com seu treinador.
Dedicação Apesar de o esporte exigir dedicação integral do atleta, Kaio Márcio afirmou não se incomodar. Todo dia, às 6h30 ele já está piscina, às 8 horas, pausa para o café da manhã, às 9 horas musculação, e, de 10h30 às 15 horas, descanso. Depois, volta a nadar até 17h30 e termina o dia indo para a universidade dar continuidade às aulas do terceiro ano de psicologia.
''Se as competições me atrapalham estudar? Claro que sim! Agora, não é um empecilho para os estudos'', enfatizou o nadador.
A determinação em ser um dos melhores do esporte, o perfil de ''good boy'' e os bons resultados trouxeram para Kaio Márcio os patrocinadores que andam escassos no esporte. Atualmente, ele tem o apoio dos Correios, governo da Paraíba, prefeitura de João Pessoa, Eletrobrás, Companhia Hidroelétrica de São Francisco (Chesf), Oi empresa de telefonia , e São Braz produtos alimentícios. Os contratos, que lhe rendem aproximadamente R$ 15 mil mensais, são suficientes para que dedique somente ao esporte.


