Juventude volta com muita festa
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 28 (AE) - A festa que começou em Caxias do Sul logo após o apito final de Botafogo 0 x Juventude 0 continuou nesta segunda-feira com a chegada da delegação. Mesmo com chuva, a empolgada torcida do Juventude, apelidada de "Papada", saiu à rua para festejar no domingo à noite. Centenas de carros congestionaram as ruas do centro, enquanto milhares de pessoas com camisetas ou bandeiras alviverdes reuniram-se na praça Dante Alighieri e tomaram conta das escadarias da catedral diocesana. A comemoração prossegue à noite no estádio Alfredo Jaconi, depois de uma carreata que começaria em Farroopilha, uma cidade vizinha.
A primeira escala dos jogadores e da comissão técnica foi hoje à tarde no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Às 14h45, em cerimônia breve, receberam os cumprimentos do governador Olívio Dutra (PT) e uma bandeira do Rio Grande do Sul. E, em troca, entregaram-lhe uma bandeira do Juventude. Em seguida, os jogadores levantaram a Copa do Brasil e repetiram o grito de guerra "Ah, eu sou gaúcho! ", criado pela torcida do Grêmio mas transformado em palavra de ordem também do Inter e do Juventude.
Um título para o interior - Quando o Botafogo pressionava para retirar a primeira partida de Caxias do Sul, alegando que o estádio Alfredo Jaconi seria pequeno para a final, Olívio enviou carta ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, defendendo o direito do clube do interior gaúcho disputar o jogo em sua cidade. "Ele foi muito importante para que jogássemos a primeira partida no Jaconi", atestou o técnico Walmir Louruz.
Usando seu linguajar característico, o governador interpretou a vitória do Juventude como resultado "da construção compartilhada e solidária" e "da força da comunidade", que serviu para "espraiar" as conquistas do futebol também para o interior, "rompendo o ciclo vicioso das vitórias apenas dos clubes das capitais". Torcedor do Inter (eliminado nas semifinais pelo próprio Juventude, por 4x0), Olívio reiterou que continua "colorado de paixão" mas que "vê com muita alegria" a conquista do Juventude "sobrepujando todas as dificuldades".
O meia Mabília declarou que o título é "acima de tudo para o interior do Rio Grande do Sul". A escala seguinte da delegação aconteceu na Assembléia Legislativa/RS.
Jogadores, técnico e dirigentes foram homenageados pelo presidente da casa, deputado Paulo Odone (PMDB). Repetiram-se os refrões "É campeão!" e "Ah, eu sou gaúcho!".
Scolari na torcida - Depois de passar por Porto Alegre, os campeões chegariam à Caxias do Sul, para onde viajaram de ônibus
no começo da noite. Em Farroupilha, distante dez quilômetros, eles embarcariam em uma carreata que seguiria até o estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
Amigo de Walmir Louruz, a quem chamou de "meu irmão", o técnico Luiz Felipe Scolari entrou no clima comemorativo ainda no domingo à noite. Ouvido pelas rádios de Porto Alegre, Scolari torceu demais pelo Juventude, acompanhando o jogo pela TV em São Paulo. "Chutei até mesa", confessou. "Me sinto recompensado mais do que qualquer título de que tenha participado dentro do campo", afirmou, contando que torceu pelo Juventude ao lado da esposa Olga e do filho Leonardo. "A Olga te mandou um recado dizendo que a conta do médico da gastrite dela é tua", falou para Louruz.
"Ganhamos a Libertadores e somos, com o Palmeiras, o melhor time da América e o Juventude hoje é o melhor do Brasil. É o único campeão da Copa do Brasil", festejou. Scolari prometeu passar no Alfredo Jaconi nesta terça-feira para cumprimentar Louruz e os dirigentes. Como as duas equipes estarão na Libertadores, Scolari avisou, em tom brincalhão, que terá que colocar "um espião" no Juventude no segundo semestre para saber "das coisinhas do Walmir". Louruz respondeu no mesmo tom: "Tu sabes. É aquele feijaozinho com arroz".
Planejando a Libertadores - "Caxias do Sul na Libertadores, quem diria", exclamou Scolari. Ele elogiou alguns jogadores, como a dupla de área Indio e Picoli, e o goleiro Emerson. "O Índio foi fantástico", definiu.
Scolari não negou a admiração por Indio, um jogador que pertence à Parmalat, patrocinadora dos dois clubes. E elogiou fartamente Louruz. "Grande técnico, excelente" e deixou escapar que "um grande clube daqui pertinho" está interessado na contratação do técnico. Foi Scolari quem convenceu o Jubilo Iwata a contratar Louruz, quando o ex-técnico do Grêmio, hoje no Palmeiras, voltou do Japão para o Brasil.
O Juventude levantou a Copa do Brasil perdendo apenas uma partida (Fluminense, 1x3). Derrotou Guará/DF (5x1), Fluminense (1x3 e 6x0), Corinthians (2x0 e 1x0), Bahia (2x2 e 2x2, com vitória alviverde por 4x1 nos pênaltis), Internacional (0x0 e 4x0) e Botafogo (2x1 e 0x0). Marcou 25 gols e sofreu nove. Louruz lembrou que a ascensão do Juventude tem sido planejada e gradativa.
Foi campeão da série B em 1994, teve boas participações nos Campeonatos Brasileiros dos anos seguintes, tornou-se campeão gaúcho em 1998, um título que ninguém tirava da dupla Grenal desde 1954, e conquistou a Copa do Brasil, troféu também inédito na sua história, em 1999.
"Agora, vamos tratar do Campeonato Brasileiro", informou o presidente do clube, Milton Scola, que definiu o certame como "o mais difícil do mundo". Scola explicou que o Juventude possui um grupo pequeno de jogadores e que terá de contratar. "E já começaremos a trabalhar com vistas à Libertadores do ano 2.000", antecipou.


