Há pouco tempo Londrina sediou uma etapa do ITF para profissionais e, naquela oportunidade, os jogadores brasileiros reclamavam da falta de apoio - principalmente de patrocinadores. Agora, no Mundial Juvenil que o Londrina Country Club está sediando, com a participação de tenistas de 15 países, as dificuldades são as mesmas, ao contrário dos jogadores internacionais, que têm total apoio de suas federações (para nós, as confederações).
Ann Jones, ‘capit㒠do grupo de cinco inglesas que estão no Brasil há mais de 20 dias - participaram, antes, das etapas de Porto Alegre Salvador -, afirmou que, para as jogadoras, não há nenhuma despesa. Tudo está sendo pago pela Federação Inglesa. ‘‘A associação faz a seleção das jogadoras, com base no ranking e nos últimos resultados. Depois disso, a Federação, treinadores e às vezes até as próprias jogadoras escolhem os melhores torneios para serem disputados. Esse aqui no Brasil teve a preferência e estamos aqui há dias com as jogadoras competindo’’, diz Ann Jones, que já foi campeã adulta em Wimbledon e, por duas vezes, também em Roland Garros. ‘‘Aqui, por exemplo, estamos com cinco jogadoras e as que têm cobertura por parte dos patrocinadores, como hotel e alimentação, a Federação complementa com as viagens. As que não têm recebem toda ajuda para disputar esses jogos’’, afirma ela.
Claire Seal, campeã da etapa de Salvador, é a atual campeã inglesa da categoria 16 anos. Ela joga desde os oito anos e já tinha experiência internacional antes de vir ao Brasil. Esteve num aberto do Chile, este ano mesmo. ‘‘Competições desse nível sempre ajudam a gente a crescer tecnicamente’’, conta ela, que este ano participou pela primeira vez do torneio juvenil de Wimbledon, sendo eliminada na segunda rodada.
Cesar AugustoParcialO paulista Vinícius Bortolatto: material esportivo, e olhe láAnne Keothavong é outra inglesa que está competindo aqui. Com 15 anos, é a primeira experiência dela na ITF, mas já participou do circuito europeu. Ela ocupava, até alguns dias atrás, a terceira colocação no ranking atual da Inglaterra. Mesmo com 15 anos, ela está participando da categoria 18 e já foi semifinalista do Aberto da Inglaterra e também o campeonato nacional, na categoria 16. ‘‘Além de nos dar condições de conhecer outro país, nossa condição técnica também é melhor apurada, pois intercâmbios assim são importantes’’, diz ela. Participam das três etapas no Brasil, ainda, as jogadoras Elena Baltacha, Alice Barner e Clare Carter.
Os brasileiros - Vinicius Pedrini Bortolatto, 16 anos, paulista de Dracena, reflete a realidade do jogador brasileiro. Bem ao contrário dos estrangeiros que estão em Londrina, os brasileiros não têm ajuda financeira.
‘‘Sempre que a gente manda um currículo para uma empresa, a resposta sempre é a mesma: não dá, porque estamos patrocinando isso ou aquilo’’, conta ele. Hoje em dia Vinicius difere um pouco da grande maioria de tenistas brasileiros, porque ‘‘há pouco tempo a Wilson (fabricante de materiais esportivos) me procurou e me dá uma ajuda com material. Melhorou muito, porque, agora, tenho todo o material para jogo e treino. E raquete e tênis não fica barato, não. Mas em geral tudo é muito difícil. Para você crescer, há necessidade de competir no exterior, na busca de pontos para entrar no ranking. E, sem patrocínio, não é possível. Para os tenistas de fora é uma moleza. Tem gente aqui de todo lado, sem gastar um centavo do bolso. É disso que nós brasileiros precisamos’’, apela Vinicius, cabeça de chave nº 1 da categoria.

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