Juvenal se despede com títulos e polêmicas
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Fernando Faro<br>Agência Estado 
São Paulo - Juvenal Juvêncio terminou de tirar seus pertences da sala da presidência do São Paulo após oito anos cercados de títulos e polêmicas que ajudaram a construir a imagem de um dos dirigentes mais vencedores e icônicos do futebol brasileiro, um verdadeiro puro-sangue da categoria. Nesta quarta-feira, ele deixou o comando do clube para entrar no seleto grupo dos lendários ex-presidentes que fizeram história no Morumbi.
Agora, Juvenal pensa apenas em descansar. A primeira coisa que fará quando deixar o posto é ir para a cidade de Aparecida, no interior paulista, agradecer pelo período à frente do clube e pela força na luta contra um tumor de próstata. Depois, irá para Santa Rosa de Viterbo, sua cidade natal, com a sensação de missão cumprida, mas ainda sem saber exatamente como se sentirá sem o dever de comandar o São Paulo.
"É o day after que indica essas coisas, no dia você se diz preparado. Mas no momento chegando é que você tem uma reação mais próxima. Está na hora de sair e deixar outros administrarem, mas entendo que precisava ficar naquele momento e trazer um pouco mais ao clube", diz Juvenal. Por "aquele momento" entende-se a mudança do estatuto que o permitiu disputar o terceiro mandato. À época, o São Paulo ainda aspirava a ter o Morumbi como palco da Copa do Mundo, mas viu o estádio ser preterido pelo Itaquerão, do arquirrival Corinthians.
OPOSIÇÃO
Foram justamente os últimos três anos de gestão que trouxeram maior desgaste. O mesmo estilo centralizador e muitas vezes duro (chamado de autoritário, por alguns) de comandar o clube que acabou pesando para que as vozes insatisfeitas começassem a subir de tom e se aglutinassem em torno de Marco Aurélio Cunha, ex-superintendente de futebol, ex-genro de Juvenal e atualmente seu principal adversário. A ele se juntaram ex-presidentes, ex-colaboradores da gestão atual - como Kalil Rocha Abdalla, candidato à presidência pela oposição, que até o ano passado era diretor jurídico do clube.
A isso somou-se a falta de títulos - apenas uma Copa Sul-Americana nos últimos seis anos - e uma série de brigas políticas com CBF, Federação Paulista de Futebol e outros clubes que ajudaram a minar o prestígio são-paulino. "Você não tem alegrias e reconhecimento, mas ninguém procura isso. Você administra paixões, é uma coisa muito difícil. Se você não governar com a razão, sua instituição perece, mas seus conselheiros são emoção. É uma tarefa dura", avaliou.
LEGADO
Mas, além das fartas conquistas até 2008, Juvenal deixa como legado a modernização da estrutura do São Paulo com a construção do CT de Cotia e melhorias sensíveis no CT da Barra Funda e no Morumbi. Laudo Natel, ex-presidente do clube, costuma dizer que Juvenal construiu um novo estádio dentro do outro.
Uma lacuna, porém, será difícil de ser preenchida. As declarações fortes e de português rebuscado, o jeito muitas vezes caricato - com direito a pausas dramáticas entre uma frase e outra e entonações singulares - e o estilo de comando tornam Juvenal o último da sua espécie. Temido por uns, adorado por outros e respeitado por todos (incluindo jogadores e comissão técnica), ele deixa o São Paulo chamuscado pelo terceiro mandato de enormes dificuldades dentro e fora de campo, mas com um currículo vencedor e um carisma que o colocam no rol dos dirigentes mais icônicos do futebol brasileiro.


