Beo Horizonte, 12 (AE) - O juiz João Roberto Borges, da 25ª Junta da Justiça do Trabalho, em Belo Horizonte, considerou, hoje, improcedente a ação movida pelo goleiro Dida contra o Cruzeiro, revindicando passe livre. Segundo uma das advogadas do atleta, Regina Ladeia, o juiz afirma na sentença, divulgada no final da tarde, que o contrato de Dida com o clube terminaria no dia 3 de abril deste ano, e não no final de janeiro, como ele alegava. Com base nisso, o magistrado considerou a saída de Dida do Cruzeiro, ocorrida logo no início de fevereiro - quando o goleiro anunciou ter recebido proposta milionária do Milan, da Itália - como "quebra de contrato".
"Para o juiz, o período de vigência do contrato de Dida foi estendido até 3 de abril em razão de diversas convocações que ele teve para a seleção brasileira", disse a advogada. "Ou seja, Dida não teria cumprido o compromisso com o Cruzeiro e, por isso, não teria direito a reivindicar passe livre e ainda pertenceria, oficialmente, ao clube", completou. Regina informou que enviaria a sentença, um documento de 28 páginas, à principal advogada do goleiro, Gislaine Rodrigues, de São Paulo. Só depois disso a equipe decidiria o que fazer. "Vamos entrar com recurso no Tribunal Regional do Trabalho, mas ainda precisamos definir como isso será feito", afirmou.
Dida ficou sabendo da notícia na Suiça, para onde voltou logo após uma audiência realizada segunda-feira na 25ª Junta, na qual o juiz Borges fez uma tentativa frustrada de conciliação entre o goleiro e o clube. De acordo com Regina, o atleta, que vem treinando no Lugano - time ao qual foi cedido temporariamente, pelo Milan - encarou a decisão com tranquilidade. A advogada disse que, provavelmente, Dida deve retornar ao Brasil, nos próximos dias. O goleiro pode até procurar o presidente Fernando Henrique Cardoso para tentar obter apoio à sua causa. "Essa idéia ganha cada vez mais força", ressaltou Regina.
Até o início da noite, nenhum dirigente do Cruzeiro havia se pronunciado sobre a sentença favorável ao clube. O assessor da equipe, Valdir Barbosa, disse apenas que a decisão judicial "era esperada". Em Goiânia, onde o Cruzeiro enfrenta o Vila Nova, à noite, na decisão da Copa Centro-Oeste, Valdir garantiu que o clube não havia recebido nenhuma proposta oficial para a compra do passe de Dida, fixado em US$ 3 milhões - dinheiro que o Milan, até agora, se recusa a pagar. Barbosa reconheceu, no entanto, a existência de boatos segundo os quais o Corinthians poderia estar interessado no goleiro.
Se a situação não for solucionada nos próximos dias, a Fifa, que deu um Certificado Temporário de Transferência a Dida - para que ele possa jogar por outros clubes - deverá arbitrar um novo valor para o passe.

mockup