Justiça inocenta todos no caso Senna
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quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
France PresseAlívioFrank Williams, dono da equipe de Ayrton Senna, um dos absolvidos ontem no tribunal de Ímola A Justiça italiana precisou de três anos e sete meses para concluir que não houve culpados pela morte de Ayrton Senna. Ontem, em Ímola, o juiz Antonio Costanzo declarou inocentes os seis acusados de homicídio culposo pelo acidente fatal com Senna, ocorrido no dia 1º de maio de 94. Entre eles está o proprietário da sua equipe, Frank Williams. Foi o mais longo julgamento da história da Fórmula 1, qualificado por Giovanni Carcaterra, advogado da família Senna, como muito sério. O procurador Maurizio Passarini disse que poderá recorrer da decisão.
Nem mesmo o projetista da Williams FW16 de Senna, Adrian Newey, e o diretor-técnico da equipe, Patrick Head, foram considerados culpados pela Justiça. Passarini havia proposto a pena de reclusão de um ano para os dois, com liberdade condicional, e a absolvição dos outros quatro indiciados no caso. A perícia técnica conduzida pelo procurador, para apurar as causas do acidente, apontou negligência de Newey e Head na modificação realizada na coluna de direção do carro de Senna.
Decepcionado com o veredito, Passarini afirmou que aguardará a documentação de Costanzo para então decidir se irá recorrer ou não. Será interessante verificar se para o juiz a coluna de direção se rompeu por acidente ou algo contrário, declarou. O advogado dos Senna recordou que a família não desejava condenações, mas apenas uma explicação sobre as circunstâncias do acidente. Mesmo sempre polido em suas observações, Carcaterra não escondeu lamentar a falta dos dados da caixa preta da Williams de Senna, o que poderia esclarecer as dúvidas da família. Segundo a Williams, ela se destruiu no acidente. A irmã do piloto, Viviane Senna, manteve ontem em São Paulo a mesma postura de todo o processo, não se manifestando a respeito da decisão de inocentar os seis acusados.
Além de Frank Williams, Adrian Newey e Patrick Head, outros três personagens comemoraram sua absolvição ontem, apesar de nenhum dos seis estar presente em Ímola. A Justiça italiana não os obrigava estar diante do juiz na hora da sentença. São eles: Roland Bruynseraede, na época inspetor de segurança da Federação Internacional de Automobilismo (FIA); Federico Bendinelli, diretor da Sagis, empresa que administra o circuito Enzo e Dino Ferrari, local do acidente; e Giorgio Poggi, diretor do autódromo.
A equipe Williams distribuiu na Inglaterra um comunicado, expondo sua felicidade com o final da história, ainda que o texto da própria Williams lembrasse o direito da promotoria de recorrer da decisão. O ex-dono da Tyrrell, o veterano Ken Tyrrell, classificou como excelente notícia a absolvição dos acusados. A Itália corria o risco de não assistir mais às corridas de F-1, lembrou. Alguns proprietários de times estavam quase que fechados quanto a boicotarem as provas realizadas naquele país, por falta de garantias legais de que não iriam parar na cadeia se os seus pilotos sofressem acidentes. Para o irlandês Eddie Jordan, da Jordan Grand Prix, essa era a única decisão razoável.


