Para investigadores, condenação de Marin por corrupção debilita Ricardo Teixeira e o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero
Para investigadores, condenação de Marin por corrupção debilita Ricardo Teixeira e o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero | Foto: Don Emmert/AFP



Nova York - A juíza Pamela Chen, da Corte do Brooklyn, em Nova York, nos Estados Unidos, aceitou o pedido dos promotores e decidiu nesta sexta-feira (22) pela prisão imediata do ex-presidente da CBF, José Maria Marin, de 85 anos.
Marin foi considerado culpado em seis das sete acusações de corrupção: conspiração para recebimento de dinheiro ilícito, conspiração para fraude relativa à Copa Libertadores, conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Libertadores, conspiração para fraude relativa à Copa do Brasil, conspiração para fraude relativa à Copa América e conspiração para lavagem de dinheiro relativa à Copa América. O dirigente brasileiro foi absolvido apenas da acusação de lavagem de dinheiro da Copa do Brasil.
A magistrada não aceitou os argumentos dos advogados de Marin, que pediram que o brasileiro aguardasse a sentença em prisão domiciliar. Os advogados tentaram interceder, alegando que o réu já se encontrava em prisão domiciliar e não oferecia risco à sociedade.
Marin é dono de um apartamento de luxo na Trump Tower em Nova York, onde encontrava-se recluso em prisão desde sua extradição para os EUA, em novembro de 2015, e pode pegar até 20 anos de prisão.
Marin foi acusado pela promotoria de aceitar mais de US$ 6 milhões em troca de subornos de direitos televisivos de torneios de futebol. Parte deste dinheiro teria sido depositada em uma conta bancária em Nova York que Marin teria usado para pagar despesas pessoais.

Consenso
Os jurados foram instruídos pela juíza, ouviram os argumentos finais e se reuniram para deliberar por um período de seis dias. Como o caso é muito complexo, dúvidas sobre evidências e as instruções da juíza acarretaram na demora de um consenso.
Nos Estados Unidos, em casos criminais, quando não houver unanimidade no veredicto, cabe ao juiz convocar um novo júri. Havendo a concordância da promotoria, ele também pode absolver os réus - o que dificilmente aconteceria neste julgamento.
Embora haja um veredicto sobre os culpados no julgamento, as sentenças ainda devem demorar alguns dias, pois júri não determina a penalidade. De acordo com a praxe, os juízes costumam entregar a sentença no prazo de 30 a 60 dias.
O paraguaio Juan Angel Napout, ex-presidente da Conmebol e um ex-vice-presidente da Fifa, foi considerado culpado em três de cinco acusações e também será levado para a prisão.

DEL NERO E TEIXEIRA
Dois anos e meio depois da prisão de Marin em Zurique, 41 cartolas foram indiciados e mais de uma dezena de federações viram seus presidentes serem presos por corrupção. No total, a Justiça norte-americana já aplicou mais de US$ 190 milhões em multas. A Fifa, bilionária, foi obrigada a se refundar para não desaparecer e gastou US$ 60 milhões apenas com advogados.
Para investigadores envolvidos no caso, a condenação debilita Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, que tinham conseguido evitar uma prisão. Em ambos os casos citados diante do tribunal, a interpretação é de que eles também foram em parte julgados em suas ausências e que, para a Justiça brasileira, ficará cada vez mais difícil justificar a inexistência de um processo.
Oficialmente, o único condenado por enquanto entre os cartolas brasileiro é Marin, que herdou uma CBF de Ricardo Teixeira repleta de "acordos". Segundo as investigações, o ex-governador de São Paulo nada fez para acabar com a corrupção. De fato, ele a ampliou e, em apenas dois anos, recebeu mais de US$ 6,5 milhões em propinas relacionadas a Copa do Brasil, Libertadores e Copa América.

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