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m de leitura Atualizado em 11/03/2022, 18:02

Justiça arquiva inquérito contra Andrés Sanchez por suposto repasse na obra do estádio do Corinthians (1)

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de março de 2022

FÁBIO SERAPIÃO E GUILHERME SETO
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O inquérito que investigava o suposto pagamento de R$ 2,5 milhões para o ex-deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP) pela Odebrecht foi arquivado. O ex-presidente do Corinthians era investigado por corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

Em sua decisão, a juíza Silvia Maria Rocha, da 2ª Vara Criminal Federal em São Paulo, acompanhou argumento do Ministério Público Federal segundo o qual as transações relacionadas à Arena Corinthians feitas pela Odebrecht teriam sido destinadas à campanha eleitoral de Sanchez em 2014, de acordo com informações obtidas em delações.

Dessa forma, a conduta poderia ser enquadrada como caixa dois, um crime eleitoral, e não prática de corrupção, a cargo da Justiça Federal.

Nos autos, a procuradora Viviane de Oliveira Martinez diz que a suspeita de que Andrés Sanchez, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva poderiam ter utilizado esses recursos para pagamento de propina a funcionários públicos ou para outros "atos indevidos" fez com que o MPF solicitasse uma análise de movimentações financeiras da Odebrecht.

Essa análise teria mostrado que o dinheiro não teve essa destinação, "havendo indícios de que as quantias se reverteram às campanhas eleitorais do PT em 2014".

O jornal Folha de S.Paulo revelou em 2017 que Sanchez havia sido citado nos acordos de delação premiada do ex-diretor-superintendente Luiz Bueno e do ex-presidente de Infraestrutura do grupo baiano, Benedito Júnior, o BJ.

A Odebrecht foi a responsável pela construção da arena do Corinthians. Sanchez presidiu o clube entre 2007 e 2011. A construção do estádio, que ficou pronto em 2014 e sediou jogos da Copa do Mundo do Brasil, começou no último ano de mandato do dirigente. Sanchez também foi diretor de seleções da CBF, entre 2011 e 2012, e voltou a presidir o Corinthians em 2018.

André Luiz de Oliveira, o André Negão, ex-vice-presidente do clube alvinegro e ex-assessor parlamentar de Sanchez, foi apontado como o responsável por ter recebido o dinheiro, pago em espécie.

Tanto Sanchez quanto Oliveira sempre negaram irregularidades. O ex-presidente do Corinthians negou ter recebido qualquer recurso da Odebrecht para sua campanha em 2014.

O ex-assessor de Sanchez também foi contemplado pelo arquivamento do inquérito.

"A decisão restabelece a verdade. André Luiz sempre negou qualquer envolvimento nos fatos. É louvável o posicionamento do MPF e da juíza da 2ª Vara Criminal Federal ao decidirem pelo arquivamento do inquérito policial", diz Julio Clímaco, advogado criminalista que o defendeu.

Clímaco não vê chance de que aconteça uma denúncia na esfera eleitoral, dado que, na visão dele, a pena mínima (um ano) seria a única aplicável para o caso, e ela já prescreveu.

"Ressalto que o fundamento é a ausência de provas do ilícito. Por isso entendo que não haverá processo na esfera eleitoral também. O que determinou o arquivamento, como consta do parecer, foi um relatório policial que demonstrou não haver provas de que houve pagamento para Andrés Sanchez nem para empresas ligadas a ele", afirma.