Sem futebol profissional até fevereiro do ano que vem, o Londrina agora frequenta o noticiário policial. A pedido da Justiça do Trabalho, ontem, um oficial de justiça, acompanhado da Polícia Federal, apreendeu dois computadores que guardam a vida financeira do clube. O mandado de busca e apreensão foi assinado pelo juiz Reginaldo Melhado, da 6 Vara do Trabalho, o mesmo que costurou o acordo trabalhista com o clube e que determinou a intervenção no Londrina em 2006.
O mandado foi expedido baseado nas denúncias feitas pelo interventor do clube, Rubens Moretti, que acusou a direção do Londrina de dificultar seu trabalho, esconder informações e levantou suspeitas quanto à legalidade da contabilidade alviceleste. O clube não vem cumprindo o acordo em que deve destinar 15% das receitas para o pagamento de dívidas trabalhistas no processo que já conta com mais de duas mil páginas. No domingo, cerca de R$ 17 mil foram penhorados nas bilheterias do Café por conta dos atrasos nos repasses.
Um dos notebooks apreendidos era de uso exclusivo do diretor financeiro do Londrina e homem de confiança do presidente Peter Robson da Silva, César Fatel. ''Há um computador noteboook de uso pessoal do funcionário Cesar Fatel, porém de propriedade do executado (Londrina), que contém diversas informações que foram sonegadas a esse administrador durante alguns meses'', escreveu em sua petição o interventor do clube.
Moretti era o responsável por fiscalizar as receitas e despesas do clube, informando à Justiça do Trabalho a situação financeira do Londrina e quanto de dinheiro o clube deveria depositar na conta judicial. Porém, ele alega que tinha suas atividades cerceadas pelo funcionário César Fatel. No documento entregue ao juiz Melhado, ele afirma que há pelo menos 40 dias ele pede, sem sucesso, informações sobre a vida financeira do clube, desde a época do Campeonato Paranaense.
O interventor ainda afirma que pediu, por escrito, a Peter, a relação de patrocinadores e seus contratos, mas também ficou sem resposta. Ele questiona ainda os fins de recursos que entraram no clube. Um deles é um suposto pagamento a Peter de 6 mil dólares - cerca de R$ 12 mil - por parte da família do japonês Genta Kamimura para que ele treinasse no Londrina. ''O executado não deu ciência desse ato ao Juízo, ou seja, sonegou a informação e os numerários à Justiça do Trabalho'', afirmou no documento.
Outro valor questionado por Moretti são os R$ 10 mil que o Atlético Paranaense teria pago para o clube quando mandou seu jogo com o Fluminense no Estádio do Café, no mês passado. O terceiro questionamento é referente aos R$ 40 mil pagos pelo rapper Gabriel O Pensador por 30% dos direitos federativos do atacante Jayme. Ele afirma que o dinheiro não foi usado para pagar os jogadores, citou a greve dos atletas e afirmou que ''não precisa ter poderes espirituais como a mãe Diná para saber'' dos atrasos.
Moretti ainda cita um ''ataque de histeria'' de Cesar Fatel, que segundo Moretti, não o queria deixar sozinho com os documentos do clube, o trancou por 40 minutos no local. ''Qual seria o motivo de não querer, o Sr. Cesar, a presença do administrador judicial sozinho no local?'', questiona o interventor na petição.
A Folha tentou ouvir o juiz Reginaldo Melhado, que não pôde atender porque estava em audiência.

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