Milton DóriaCriseOs dirigentes da SAL reuniram a imprensa ontem para desabafar. Diante de grandes problemas, eles podem desistir de apoiar o futebol em LondrinaA entrevista que a Sociedade dos Amigos do Londrina (SAL) havia programado para ontem de manhã, para anunciar os planos do Londrina para 1998, acabou se transformando num desabafo dos dirigentes e numa grave ameaça: a entidade pode ser desfeita, deixando de apoiar o futebol da cidade. A causa principal do possível desaparecimento da SAL é a impossibilidade de saldar velhas dívidas trabalhistas do Londrina Esporte Clube, que a Justiça do Trabalho insiste em cobrar.
A gota d’água parece ter sido uma correspondência enviada pelo juiz da 5ª Junta, Manoel Vinicius de Oliveira Branco, determinando que a SAL comunique oficialmente a relação de jogadores cujos passes pertencem ao clube, e que serão penhorados para cobrir parte de 107 ações trabalhistas. Só ontem apareceram mais três ações.
‘‘A situação se tornou insustentável. Assim não é possível tocar o futebol da cidade. A Justiça Trabalhista insiste em considerar a SAL como co-responsável por dívidas assumidas por diretorias passadas do Londrina Esporte Clube. Chegam a dizer que a SAL é sucessora do Londrina. Se o Londrina está vivo, como é que ele pode ter um sucessor? Não podemos responder por dívidas que gestões passadas não honraram, umas por falta de condições e outras por má f钒, desabafa o presidente da SAL, Marcos Alexandre Domingues.
‘‘A SAL não é o Londrina. Estamos apenas mantendo o futebol na cidade. Mas, lamentavelmente, a Justiça do Trabalho não entende assim ’, continua Alexandre. ‘‘Não dá mais para continuar trabalhando. Diariamente bloqueiam as receitas que conseguimos através de promoções que nada têm a ver com o Londrina Esporte Clube. Se não encontrarmos uma saída jurídica, vamos ter que tomar posições extremas. Até o placar eletrônico que conseguimos adquirir para o Estádio do Café estão tentando penhorar. Até um irmão do ex-presidente Marcelo Caldarelli, que trabalhava no clube junto com ele, entrou na Justiça e está pressionando a SAL. Não dá mais para aguentar’’.
O vice-presidente Célio Guergoletto, os diretores Marco Antonio Ramondini e Onéssimo Francisco de Assis também lamentaram que a situação tenha chegado a este ponto. ‘‘É hora da cidade se pronunciar, dizendo se quer futebol ou não. Recebemos muito apoio popular, mesmo depois que perdemos a classificação no Brasileiro, mas a pressão dos credores do Londrina através da Justiça está muito grande’’ - explicou Guergoletto. Ele diz que ‘‘a SAL não assumirá mais nenhuma responsabilidade sem ter uma garantia de que nossas receitas sejam a todo o instante colocadas em risco’’. Guergoletto acredita que ‘‘somente depois que tivermos um caso tramitado e julgado, mostrando que a SAL não é o Londrina, poderemos ter tranquilidade para trabalhar. Vejam o caso do Nelsinho. Ele foi comprado pela SAL mas, como está registrado como jogador do Londrina, pode ter seu passe penhorado pela Justiça. Não é possível continuar assim’’.
Os problemas são realmente muito grandes. A SAL está com mais de R$ 200 mil embargados pela Justiça. Dinheiro de promoções realizadas pela SAL, que estava entrando via Sercomtel, e que foi bloqueado devido a causas trabalhistas.
Por enquanto, o time que disputou o Brasileiro está desfeito, inclusive a comissão técnica. Zé Carlos Serrão e os preparadores Robson, Venturini e Roberto Costa estão sendo dispensados. ‘‘Fica só o supervisor Lico’’, explicou Marcos Alexandre, acrescentando que ‘‘um pouco antes do dia 5 de janeiro, quando haverá a reapresentação do elenco, decidiremos se algum deles voltará para o ano que vem’’. Os jogadores que têm vínculo com o clube retornam no próximo dia 27, mas serão novamente liberados até 5 de janeiro.

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