Luiz Cláudio Oliveira
Enviado da Folha
Uma disputa entre a prefeitura de Ciudad del Este e o Clube Atlético Tres de Febrero está ameaçando o jogo da Seleção Brasileira contra a Venezuela, hoje, pela Copa América. Ontem, por volta das 16 horas, pouco antes do time de Luxemburgo chegar ao estádio para o treino de reconhecimento, um ‘notificador’, ou oficial de Justiça, como é conhecido no Brasil, entregou um documento na portaria da sala de imprensa cobrando uma dívida do clube paraguaio. A dívida é de US$ 25 mil, o equivalente a 80 milhões de guaranis. Se a mesma não for paga hoje, até às 15 horas, a Justiça de Ciudad del Este ameaça enviar força policial para fechar o estádio.
O ‘notificador’ Izidoro Fernandes cumpria ordens da juiza Mary Stella Rios, da Terceira Sala do Juizado de Faltas Municipais de Ciudad del Este. Eles estão embasados em uma lei municipal que prevê o recolhimento de 10% da arrecadação em eventos especiais. A dívida cobrada é referente à partida entre Paraguai e Uruguai, realizada no dia 17 de junho, na inauguração do Estádio Três de Febrero.
O presidente do Clube Atlético Três de Febrero, Antonio Aranda, que também é o presidente local do Comitê Organizador da Copa América em Ciudad del Este, afrma que a responsabilidade é do Comitê Organizador em Assunção. ‘‘Já contestamos esta notificação e, além disso, nenhum paraguaio vai permitir que se arruíne a Copa América’, afirmou Aranda. ‘‘Fizemos um sacrifício de oito meses, sem apoio do município. Estes senhores que querem nos prejudicar são bandidos sem-vergonha’’, atacou.
Aranda, que espera que o estádio receba 30 mil espectadores hoje, lembra de que existe uma lei que favorece os clubes paraguaios a não pagar impostos. ‘‘Como não sou advogado, não sei dizer exatamente o que vai acontecer, mas, em último caso, pagaremos a dívida e solucionaremos o problema.’’
Ontem, os recepcionistas da Sala de Imprensa foram orientados a não receber a citação e a deixaram jogada em cima do balcão. ‘‘Todos foram notificados e, independente de assinarem ou não a citação, o que vale é o meu relatório. Se eles não pagarem, não vai haver Copa América’’, insistia o ‘notificador’ Izidoro Fernandes.
Enquanto dava entrevistas para jornalistas de toda a América, Fernandes foi abruptamente interrompido por um senhor ligado a Aranda, que praticamente o expulsou do estádio. Fernandes convidou a imprensa para acompanhá-lo até a saída, com medo de alguma retaliação. Enquanto isso, Antonio Aranda assistia ao treino da Seleção Brasileira ao lado de um oficial da polícia paraguaia - que preferiu não dar opinião sobre o assunto.

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