Juraci se diz 'otimista' para o triatlo
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sexta-feira, 15 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare De Sydney, Austrália 
Os paranaenses Juraci Moreira Júnior, 21 anos, do triatlo, e Camila Comin, 17, da ginástica artística, estréiam hoje na Olimpíada de Sydney. Para Juraci, a primeira vez não está sendo tão tulmultuada, já que este também é o primeiro ano do triatlo na Olimpíada. Eu sou novo ainda, então a responsabilidade não está pesando tanto. Vim para ganhar mais experiência, diz o atleta, comparando os seus 21 anos com os 42 de Robb Barel, da Holanda, o atleta mais velho da prova.
Para Camila, a responsabilidade aumenta um pouco por ser uma das duas titulares da equipe brasileira. Somos apenas duas, enquanto países como a Austrália, a Bielo Rússia, a Bulgária e a China tem seis atletas cada uma. A responsabilidade é grande, mas sabemos que se ficarmos entre as 36 finalistas o resultado já será muito bom, diz a ginasta, consciente. Mas garante que, ao lado de Daniele Hypólito, 16, vai tentar lutar por uma boa colocação para o Brasil. Não temos condições como as norte-americanas, romenas como Maria Olaru , e russas como Yeena Produnova e Svetlana Khorkina. Mas podemos fazer história. Aliás, já fizemos chegando até aqui, completa. Luíza Parente foi a única a estar entre as classificadas para uma final, em Seul, em 1988.
Já no triatlo, as chances do país sair com uma medalha são bem maiores. Além de Juraci, oitavo lugar na Copa do Mundo da Austrália, no ano passado, a equipe está composta por Leandro Macedo, bi-campeão Pan-Americano (95 e 99) e tricampeão brasileiro (93, 94 e 95), e por Armando Barcellos, quarto lugar nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg. Temos 25 atletas, dos 52, com chances de ganhar a medalha. E entre eles estão os brasileiros, diz Marcos Paulo Reis, técnico da equipe.
Para Juraci, o que vai contar muito é o ciclismo. Fizemos um trabalho específico para melhorar a natação e eu, particularmente, o ciclismo, que não era muito o meu forte. Se eu sair bem da água e conseguir terminar o ciclismo no primeiro pelotão, eu me garanto na corrida, diz, esperançoso.
A prova do triatlo será disputada hoje, às 20 horas (de Brasília). A largada acontece em frente a um dos cartões postais mais vendidos da cidade, a Ópera House. Estão inscritos 52 triatletas, que vão disputar 1,5 km de natação, 40 km de ciclismo e 10 km de corrida. Os especialistas acreditam que o ganhador deverá completar os três percursos em 1h50 (considerando 20 minutos para a natação, 60 minutos de bicicleta e 30 minutos de corrida). Já a ginástica artística, que será disputada son Super Dome, na Vila Olímpica, começa à meia-noite de hoje (14 horas de domingo, em Sydney).
Acompanhando O técnico curitibano Homero Cachel, 40 anos, também veio para Sydney. Ele veio acompanhar o trabalho de preparação de Juraci. Sem poder ficar na Vila Olímpica, por não ser o técnico oficial do Comitê Olímpico Brasileiro, Homero hospedou-se em um hotel próximo ao local da prova. É fundamental o acompanhamento do atleta durante toda essa fase de preparação para a Olimpíada, diz.
Homero começou no triatlo em 82, logo que a modalidade chegou ao Brasil. Começou como atleta. A primeira prova no Paraná foi em 84, nas praias de Guaratuba, Matinhos e Shagri-lá. Na época ainda nem existia a rodovia Alexandra Matinhos, recorda.
Professor de Educação Física formado pela Universidade Federal do Paraná, em 1984 começou na modalidade por curiosidade. Quando comecei, já era professor de natação e praticava ciclismo. Corria na equipe do professor Adir Romeu, em Curitiba. O atletismo veio naturalmente. Queria alguma coisa diferente e aproveitei a base que a universidade tinha me dado, diz.


