Sem patrocinadores que possam oferecer a necessária retaguarda financeira, a Portuguesa Londrinense descobriu a saída para manter a sobrevivência do modelo-empresa implantado no clube: utilizar os juniores na base da equipe profissional. Os meninos disputam o Campeonato Paranaense da categoria e, simultaneamente, a Copa Paraná, que reúne equipes profissionais. A Portuguesa segue praticamente imbatível e lidera nas duas competições. Pelo menos cinco garotos também atuam como titulares no ‘time de cima’: Givanildo, Amaro, Marquinhos, Bebeto e Marcos Cruz.
No entanto, o técnico Claudinho, da equipe profissional, tem mais dez opções, quase um time inteiro: Rogério, Julinho, Robert, Joãozinho, André, Acácio, Enéas, Rafael, Erivélter e Claudinei. As idades oscilam entre 18 e 21 anos. O restante do elenco é completado pelos ‘velhinhos’ Márcio Vieira, Amarildo e Zé Roberto, que têm 26 anos. O atacante Buiu, 22, artilheiro da recente edição da Série A-2 e atual goleador da Copa Paraná, é outro ‘veterano’ do atual elenco.
Sem grandes estrelas - a média salarial dos juniores não passa de R$ 200,00, sem direito a prêmios - o grupo se supera num esforço quase heróico para resistir ao desgaste natural que provocam dois torneios paralelos. ‘‘Nossa filosofia é a de ganhar dinheiro’’, conta o diretor Amarildo Vieira Martins.
Ele só reclama da indiferença das empresas locais, que, segundo ele, não destinam nenhum tostão à Portuguesa. ‘‘Só precisaríamos de R$ 10 mil mensais para montar uma estrutura mínima. Estamos cansados de blá-blá-blᒒ, desabafa Amarildo, que espera a confirmação de uma parceria entre a Portuguesa e um político de Curitiba. Atualmente, o clube depende das contribuições dos sócios, que se transformam em cotistas. Como investidores, entram na divisão dos lucros das vendas dos jogadores.
Apesar das dificuldades, Amarildo garante que a Portuguesa não vai desistir da política de revelar talentos. ‘‘É um sacrifício que já começa a dar resultados’’, constata o dirigente, referindo-se às recentes negociações.
O Coritiba, por exemplo, pagou R$ 20 mil pelo zagueiro Tito e obteve o empréstimo do atacante Reginaldo, que teve o passe estipulado em R$ 300 mil. Se o SSV-4 da Alemanha precisará pagar a mesma importância se quiser o volante Marcinho em definitivo. Já o zagueiro Montini custaria R$ 100 mil ao Londrina.
A Portuguesa abre suas portas para futuros craques que chegam de todos os cantos do País e até do Exterior, como o americano Rodrigo, que veio de Nova York, ou o lateral japonês Fukaya.
Os técnicos Claudinho e Zequinha Pé de Galo (escolinha), o preparador físico Britânia e o treinador de goleiros Luís Carlos de Oliveira mostram um perfeito entrosamento no trabalho, mas são obrigados a improvisar a programação para que os juniores consigam cumprir a intensa maratona. ‘‘Minha preocupação é a de não permitir que os meninos estourem fisicamente’’, explica Britânia. ‘‘Nosso planejamento é bem estudado para evitar problemas. Nunca me aconteceu de escalar um júnior em menos de 48 horas, mas, se fosse necessário, pediríamos autorização à CBF. Mesmo assim, eu analisaria as condições de cada atleta’’, esclarece Claudinho. ‘‘Fico sempre no pé dos meninos para que eles levem uma vida muito regrada’’, emenda Zequinha Pé de Galo - uma espécie de mestre e de segundo pai dos jogadores - que vive o universo do futebol há mais de 20 anos.
O diretor da escolinha, Otávio Gianelli, o Limpa-Trilho, procura fortalecer a atual estrutura e criar novas categorias menores, inclusive o pré-mirim, ainda estimulando o futebol feminino da Portuguesa. Os interessados em participar das ‘peneiras’ devem se inscrever no estádio da Vila Santa Terezinha.

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