São Paulo, 27 (AE) - O Palmeiras vai explorar o cansaço do Corinthians com a velocidade do lateral-esquerdo Júnior, que será uma das suas principais armas no clássico deste domingo, às 16 horas, no Morumbi. Para dar mais liberdade ao jogador, o técnico Luiz Felipe Scolari até mudou o esquema do time. Zinho, que era um dos meias de armação das jogadas, vai atuar novamente como terceiro volante como aconteceu na vitória do Alviverde sobre a Portuguesa Santista por 4 a 1, quinta-feira, na Vila Belmiro, em Santos.
Zinho vai dar cobertura ao lateral na marcação de Marcelinho Carioca. "Poderei avançar com maior frequência, sem o risco de levar bolas nas costas", diz Júnior, que marcou 12 gols com a camisa do Palmeiras em três anos de clube. O mais bonito ele admite ter feito no jogo de quinta-feira, ao driblar três adversários em jogada de velocidade. "Cansei de fazer os passes para Paulo Nunes e Oséas, por isso tentei a jogada individual e deu certo até chegar cara a cara com o goleiro", conta o lateral, bem-humorado.
Júnior reconhece que não atuou bem no clássico anterior contra o Corinthians, vencido pelo Alvinegro por 2 a 1. "Eles me marcaram muito bem", lembra. "Mas desta vez não vão me segurar, podem ter certeza." O lateral diz que geralmente atua melhor nos clássicos. Por isso, está empolgado com a possibilidade de fazer uma grande atuação neste domingo. "Gosto de jogar no Morumbi, porque tenho mais espaço para fazer os lances de profundidade."
Aos 25 anos, Júnior diz que vive a melhor fase da carreira. Ele disputou 227 jogos. Nesse ano jogou 15 partidas e marcou 2 gols. Mas não lamenta estar fora da seleção. Ele reconhece que o futebol brasileiro conta com bons jogadores para a posição. "Dá para fazer quase um time só de laterais-esquerdos", ressalta Júnior, que reconhece haver uma disputa acirrada entre os jogadores que atuam nos principais clubes do País. "Temos Felipe, Serginho, Júnior, Silvinho, Gustavo, Augusto, Roger, Athirson, além do Roberto Carlos, que está no Real Madrid."
O lateral não gosta de ouvir os comentários de que se machuca com facilidade durante a partida. Quer afastar qualquer tipo de insinuação de que é um "canela de vidro". "Nos dois últimos anos fui o jogador que disputou mais partidas pelo Palmeiras", afirma, ao garantir que raramente se machuca. Ele afirma que não tem medo de dividir as jogadas, muito menos se intimida com ameaças do adversário. "No ano passado não repeti a marca porque fiquei fora do time vários jogos, por causa da seleção."
Scolari confirma que Júnior está numa grande fase. O treinador lembra que o jogador conseguiu melhorar o poder de marcação na cobertura. "Era uma falha dele, mas Júnior evoluiu nesse aspecto, aprendeu a fechar o setor, quando volta para a defesa, embora a marcação nunca tenha sido sua principal característica", diz o treinador, que acha difícil encontrar um lateral completo. "Dos laterais, o Roger, do Grêmio, é quem melhor marca, mas não tem a mesma eficiência para apoiar."

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