A Comissão Nacional de Controle de Dopagem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou ontem que detectou a presença de cocaína e de seu metabólito (produto do metabolismo) benzoilecgonina na urina do zagueiro Júnior Baiano, do Vasco. Deu positivo o exame de amostra de urina colhida após a final da Copa João Havelange, contra o São Caetano, no Maracanã. O Vasco venceu a partida por 3 a 1, e ele participou de todo o jogo.
O anúncio do doping foi feito pelo presidente da comissão, Tanus Jorge Nagem. De acordo com Josias Ribeiro, também membro da comissão, a droga pode ser detectada no organismo ‘‘até dez dias depois de ser ingerida, caso a dose tenha sido grande’’.
O jogador esteve os dez dias anteriores à partida treinando em São Januário, afinal, foram interrompidas as férias dos atletas, que começara em 30 de dezembro (data do jogo de São Januário).
Já Nagem disse que a droga é de tiro curto. ‘‘Sete ou oito dias após ser consumida, não deixa nenhum traço no organismo’’, afirmou, na ocasião do doping – também por cocaína – do meia Lopes, do Palmeiras, em outubro do ano passado.
O jogador deverá ser suspenso preventivamente por 29 dias, até que o caso seja julgado pela Justiça desportiva. Se Júnior Baiano for condenado, poderá pegar de 120 a 360 dias de suspensão.
Inicialmente, o Vasco não corre risco de ser punido – a não ser que seja comprovada a participação de integrantes dos médicos do clube no suposto doping.
Até as 19 horas de ontem, a assessoria de imprensa do Vasco afirmou que não comentaria o assunto por ainda não haver sido oficialmente notificada a respeito.
Os integrantes da comissão realizaram ontem a contraprova, que também deu positivo. ‘‘A substância estava na urina do atleta. A prova disso é a presença do metabólito’’, disse Nagem.
O presidente da comissão, entretanto, não acredita que o jogador do Vasco tenha feito uso da cocaína como doping. ‘‘A cocaína é uma droga social. A droga tem pequeno efeito estimulante.’’
Júnior Baiano será indiciado no artigo 35 – ter disputado partida comprovadamente dopado – da portaria do MEC número 531/85, de 10 de julho de 1985, que baixa normas sobre o controle de dopagem nas partidas de futebol.
Em 1996, o atacante Dinei também teve exame positivo para o uso de cocaína. O atleta, então no Coritiba, pegou a pena máxima, tendo sido punido com 360 dias de suspensão.
No ano passado, o meia Lopes, do Palmeiras foi suspenso por 120 dias por ter atuado dopado contra o Cruzeiro, em Ipatinga-MG, pela Copa Mercosul.
Outro caso de doping no ano passado envolveu o lateral do Flamengo Athirson, cujo exame detectou a presença do estimulante femproporex na urina. Ele acabou absolvido pela Justiça desportiva.

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