Júnior Baiano jogou dopado a final da João Havelange
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2001
Agência Folha Do Rio de Janeiro 
A Comissão Nacional de Controle de Dopagem da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) anunciou ontem que detectou a presença de cocaína e de seu metabólito (produto do metabolismo) benzoilecgonina na urina do zagueiro Júnior Baiano, do Vasco. Deu positivo o exame de amostra de urina colhida após a final da Copa João Havelange, contra o São Caetano, no Maracanã. O Vasco venceu a partida por 3 a 1, e ele participou de todo o jogo.
O anúncio do doping foi feito pelo presidente da comissão, Tanus Jorge Nagem. De acordo com Josias Ribeiro, também membro da comissão, a droga pode ser detectada no organismo até dez dias depois de ser ingerida, caso a dose tenha sido grande.
O jogador esteve os dez dias anteriores à partida treinando em São Januário, afinal, foram interrompidas as férias dos atletas, que começara em 30 de dezembro (data do jogo de São Januário).
Já Nagem disse que a droga é de tiro curto. Sete ou oito dias após ser consumida, não deixa nenhum traço no organismo, afirmou, na ocasião do doping também por cocaína do meia Lopes, do Palmeiras, em outubro do ano passado.
O jogador deverá ser suspenso preventivamente por 29 dias, até que o caso seja julgado pela Justiça desportiva. Se Júnior Baiano for condenado, poderá pegar de 120 a 360 dias de suspensão.
Inicialmente, o Vasco não corre risco de ser punido a não ser que seja comprovada a participação de integrantes dos médicos do clube no suposto doping.
Até as 19 horas de ontem, a assessoria de imprensa do Vasco afirmou que não comentaria o assunto por ainda não haver sido oficialmente notificada a respeito.
Os integrantes da comissão realizaram ontem a contraprova, que também deu positivo. A substância estava na urina do atleta. A prova disso é a presença do metabólito, disse Nagem.
O presidente da comissão, entretanto, não acredita que o jogador do Vasco tenha feito uso da cocaína como doping. A cocaína é uma droga social. A droga tem pequeno efeito estimulante.
Júnior Baiano será indiciado no artigo 35 ter disputado partida comprovadamente dopado da portaria do MEC número 531/85, de 10 de julho de 1985, que baixa normas sobre o controle de dopagem nas partidas de futebol.
Em 1996, o atacante Dinei também teve exame positivo para o uso de cocaína. O atleta, então no Coritiba, pegou a pena máxima, tendo sido punido com 360 dias de suspensão.
No ano passado, o meia Lopes, do Palmeiras foi suspenso por 120 dias por ter atuado dopado contra o Cruzeiro, em Ipatinga-MG, pela Copa Mercosul.
Outro caso de doping no ano passado envolveu o lateral do Flamengo Athirson, cujo exame detectou a presença do estimulante femproporex na urina. Ele acabou absolvido pela Justiça desportiva.


