Juninho resgata a democracia corintiana
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quinta-feira, 16 de outubro de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Ex-integrante da ''democracia corintiana'', Juninho trouxe de volta ao clube uma pitada do movimento liderado por Sócrates no início da década de 80. Promovido do time júnior para o profissional, o técnico ouve os atletas antes de tomar decisões. Ele deu liberdade para os jogadores opinarem sobre como o Corinthians deve atuar e qual a melhor maneira de corrigir os erros.
No passado, Sócrates e seus companheiros participavam de todas as decisões do futebol. Segundo o atacante Gil, uma das primeiras atitudes de Juninho, que assumiu o time na terça, foi pedir aos atletas que falassem como preferem atuar. ''Não são todos os treinadores que dão essa liberdade para os jogadores, por isso precisamos aproveitar e render bem para que isso continue'', declarou Gil.
De cara, os atletas deram palpites sobre a maneira de o time se posicionar nas cobranças de falta contra e a favor. No último domingo, os corintianos levaram um gol logo após cobrança do goleiro são-paulino Rogério. Livre, o atacante Diego pegou o rebote e fez o primeiro gol da vitória do São Paulo por 3 a 0.
O toque de democracia de Juninho no Parque São Jorge torna ainda mais emblemática a escolha dele para ser o técnico-tampão, provavelmente até o final do ano. O presidente Alberto Dualib, que deu a última palavra sobre a sua promoção, dispensou Juninho quando ele era zagueiro. Em 1986, Dualib era vice de futebol e afastou Juninho junto com remanescentes da ''democracia corintiana'', como o ex-lateral Vladimir. Juninho estava na equipe desde 1982. As dispensas impediram qualquer tentativa de o movimento ser retomado.
Hoje, o diretor técnico Rivellino diz aprovar o estilo adotado por Juninho. ''Quem sente a dificuldade em campo é o jogador, então ele precisa ter liberdade até para mudar algumas coisas'', afirmou.


