Ele é um dos principais responsáveis por mudar a história do Lyon. Com ele, o clube francês deixou de ser modesto, um mero coadjuvante no Campeonato Francês, para ser o grande bicho-papão da França. Aos 32 anos, Juninho Pernambucano acaba de faturar mais dois títulos com o clube francês. Conquistou o sétimo caneco consecutivo dele e do clube no campenato nacional e levou também a Copa da França, aumentando sua galeria de troféus, que tem ainda dois Brasileiros, em 1997 e 2000, uma Copa Mercosul, em 2000, e uma Libertadores da América, em 1998, todos com o Vasco.
  Após as férias do meio do ano, ele inicia a missão que ainda não conseguiu cumprir: levar o Lyon às finais da Liga dos Campeões da Europa, na qual o clube, que tem ainda os brasileiros Anderson, Cris e Fred, não consegue repetir o sucesso. Em entrevista à FOLHA, Juninho fala do sucesso na França, de seleção brasileira e outros assuntos.
FOLHA - Depois que você chegou ao Lyon, o clube foi soberano na França. A equipe nunca havia sido campeã nacional e conquistou sete títulos seguidos. Qual a sua parcela de responsabilidade por isso?
  Juninho - Acho que pude contribuir muito, assim como todos aqueles que foram integrantes destas equipes desde a primeira conquista.
FOLHA - O que falta para o Lyon se impor na Liga dos Campeões da forma como faz dentro da França?
  Juninho - Ter um time mais forte ainda. Já temos um grupo forte e competitivo, mas para ganhar a Liga dos Campeõs você precisa ter os melhores sempre e a expectativa é que tenhamos um time comprador e não vendedor em 2008/2009.
FOLHA - Você acha que ainda falta alguma coisa para ganhar com o Lyon ou seu ciclo no clube já se encerrou? Qual título falta para a sua carreira?
  Juninho - Sem dúvida a Liga dos Campeões. Este é o título que falta.
  FOLHA - No futebol moderno, os jogadores não possuem mais identificação com clube algum, devido às contantes trocas de times. No entanto, você caminha pela direção oposta. Defendeu apenas três equipes na carreira (Sport, Vasco e Lyon). Foi uma opção sua, um princípio seu?
  Juninho - Sim, acho que ter identificação com um clube é importante. Ser parte da história de um clube é fundamental para que reconheçam seu trabalho.
FOLHA - Durante os dois meses passados seu nome foi muito especulado no São Paulo e no Vasco. Você pensa em voltar ao Brasil ou vai encerrar a carreira na França?
  Juninho: Não pensei nisto ainda. Quero aproveitar estes anos aqui que ainda tenho de contrato. Mais para frente terei esta resposta.
FOLHA - A decisão de deixar a seleção pode ser revista ou é definitiva? Ficou alguma mágoa por ter sido pouco aproveitado na última Copa do Mundo, apesar do clamor popular?
  Juninho - Acho que poderia ter dado mais, mas agora isto é passado. Ser convocado de novo vai ser complicado, mas se for chamado acho que preciso conversar sobre a minha contribuição e se vou ser útil ainda.
FOLHA - Como é o assédio dos fãs nas rua? Você deve ser idolatrado. Como encara isso?
  Juninho - Fico feliz. Acho que é o reconhecimento do que fazemos no dia a dia. Isto é o combustível que nos move.
FOLHA - Quais lições você tira desses anos de futebol europeu e de vivência na França?
  Juninho - Que você precisa ser muito profissional, sempre pensar em dar o melhor e se aperfeiçoar. Na Europa, as pessoas cobram porque sabem que você é capaz de dar. E aqui (na França) aprendemos a respeitar conceitos de profissionalismo e nos tratam desta forma.
FOLHA - O que costuma fazer nas horas vagas? Viaja bastante? Aproveita as belezas e o charme da França e dos países vizinhos?
  Juninho - Sim, sempre que posso e as viagens com o clube permitem, eu vou atrás de novidades. A Europa e a França são maravilhosas.
FOLHA - Ainda sente muita saudade do Brasil? Como faz para matar essa saudade?
  Juninho - Sinto muita saudade, mas sempre estou ligado nas notícias e nas transmissões do futebol. Mantenho contato com o Brasil toda hora.
FOLHA - Como é o convívio com outros brasileiros dentro e fora de campo? Costumam se reunir, confraternizar?
  Juninho - Sempre foi muito bom. Os brasileiros, desde que cheguei aqui, formaram uma enorme família. Caçapa, Cris, Anderson... Todos sempre foram amigos e se ajudaram nesta questão de saudade da brasilidade, de nosso povo. Isto foi muito importante para minha permanência aqui.

mockup