São Paulo - Tite ainda não decidiu se manterá Júlio César entre os titulares do Corinthians. Mas gostou de ver a personalidade do goleiro de assumir os erros e garantir que está pronto para a volta por cima. O treinador ficará ainda mais satisfeito quando ver o desempenho dele após falhar: como se fosse uma obrigação, a resposta vem sempre rápida e de forma brilhante.
Júlio César admite não gostar de errar, se diz um ser humano passível de falhas, mas prova, em campo, que sabe reagir bem. No Corinthians, foram seis falhas mais evidentes e todas apagadas, ou minimizadas, já no jogo seguinte, o que acalma um pouco o torcedor corintiano, caso ele seja mantido como titular diante do Emelec, na próxima quarta-feira, em Guayaquil, no Equador, pelas oitavas de final da Libertadores.
''Sempre depois de um erro, as pessoas ficam ali, torcendo para que eu volte a errar e isso me motiva a dar a volta por cima. Vou lá e faço o contrário, mostrando minha qualidade'', afirmou Júlio César, que deu entrevista coletiva nesta quarta-feira para comentar sobre as falhas decisivas que cometeu no último domingo, na derrota para a Ponte Preta, que provocou a eliminação do Corinthians no Paulistão. ''Quero, até quarta-feira, mostrar que estou pronto.''
E ele fala com propriedade. Em 2010, na rodada final do Brasileirão, Júlio César saiu mal com os pés diante do Goiás e a equipe acabou levando o gol. O empate ocasionou vaga na repescagem da Libertadores e o confronto inesquecível com o Tolima. Ele só voltou a jogar depois das férias. E fechou o gol na estreia, diante da Lusa, e também por várias rodadas daquele campeonato estadual.
Naquele Paulistão de 2011, Júlio César fez uma primeira fase perfeita até o duelo com o Oeste. Nova saída errada com os pés e gol sofrido. Se redimiu ao pegar pênalti diante do Palmeiras nas semifinais. Depois, na final com o Santos, um equívoco em chute fraco de Neymar custou o título. Tite o bancou e, já na estreia do Brasileirão, diante do Grêmio, lá estava o goleiro segurando o rival no Olímpico.
Júlio César falharia outras duas vezes antes do título brasileiro de 2011. No gol de Juninho, diante do Vasco, e contra o América-MG, fora de casa. Depois do primeiro, fez milagres contra o Atlético-GO. E, após gol de falta de Amaral para o clube mineiro, engatou sequência de milagres contra Atlético-PR, Ceará, Cruzeiro e outros, até a volta olímpica diante do Palmeiras.
''Se o Tite decidir para que eu fique, estou preparado. Nunca fico confortável com os erros, mas sei que isso acontece. O ano estava sendo muito regular até o jogo com a Ponte Preta. Já aprendi que de qualquer jeito, com pressa, as coisas não dão certo'', avaliou Júlio César.
Os planos do goleiro agora são de reconquista da confiança da torcida e de todos que o apoiaram. ''Tenho sonhos muito grandes aqui. Estava até brincando, quem mandou escolher ser goleiro? Mas tenho muito prazer e não é um erro, uma falha, que vai me tirar esse prazer'', disse Júlio César.

mockup