Boston - O posto de jogador mais politicamente correto da seleção brasileira já tem dono: o goleiro Júlio César. Bem articulado, ele vem sendo o porta-voz da equipe e fala sempre em coletividade, nunca em individualidades. Prova disso é sua postura quando questionado sobre a Olimpíada de Pequim. Muita gente aposta que ele será um dos três jogadores com mais de 23 anos a ser convocado por Dunga, já que os principais goleiros com idade olímpica (Diego Alves, do Almería, e Renan, do Internacional) não inspiram total confiança no treinador.
Júlio César, porém, evita ao máximo se colocar nessa posição - ao contrário de Robinho, por exemplo, que já ''se convocou'' inúmeras vezes nas últimas semanas. ''Olha, não tem nada definido ainda com relação aos jogadores de 23 anos. Ao que me parece, o Dunga ainda não se definiu sobre essa questão'', diz o goleiro. ''Mas se eu tiver mesmo a oportunidade de fazer parte do grupo, vou conversar com a diretoria da Inter e, se acontecer, vai ser um prazer muito grande, já que é a única conquista que o Brasil não tem.''
Nos treinos, o goleiro demonstra uma desenvoltura com os membros da comissão técnica que nenhum outro jogador tem . Na terça-feira, disputou um ''campeonato'' com o auxiliar-técnico Jorginho para ver quem chutava mais bolas no travessão, a partir da meia-lua. Perdeu feio, mas divertiu a todos (os demais jogadores e os jornalistas que acompanhavam o treino) com seus comentários a cada chute errado por Jorginho.
Titular nos quatro jogos das Eliminatórias, Júlio César admite que o foco do grupo não está no amistoso de amanhã com a Venezuela, em Boston, mas nas partidas contra Paraguai (dia 15) e Argentina (18). ''Não tem como não deixar de pensar. Este amistoso ainda com a Venezuela vai servir de preparação para esses dois jogos e nossa intenção é também aproveitar ao máximo os treinos, para chegarmos 100% contra Paraguai e Argentina.'' (J.C./A.E.)

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