Julio Cesar está focado apenas no hexa
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Robson Morelli<br>Agência Estado 
Johannesburgo - Na Copa de 2006, Julio Cesar era o terceiro goleiro, atrás de Dida e Rogério Ceni, e não tinha nenhuma esperança de atuar. Guardou da experiência algumas lições e uma confidência feita a Cafu. ''Disse a ele que meu sonho sempre foi o de chegar a uma Copa do Mundo e repetir o gesto dele em 2002. Quero beijar o troféu e entrar para a história da seleção''. Na Copa conjunta organizada por Coreia do Sul e Japão, o lateral fez isso diante de centenas de câmeras e de uma chuva de papel dourado que inundou o gramado do jogo final, em Yokohama.
Julio Cesar ficou frustrado com a eliminação precoce do Brasil no Mundial da Alemanha e agora vai ter nova oportunidade, numa situação que lhe é mais favorável. É considerado pela crítica internacional o melhor goleiro do mundo. Bem humorado e rápido nas respostas, Julio Cesar demonstrou maturidade na entrevista coletiva, nesta sexta, em Johannesburgo. Refutou o título de número 1 no gol e dispensou o encantamento natural que tantos elogios poderiam proporcionar. ''Se me chamarem melhor do mundo, eu não acredito, goleiro é uma posição diferente, de um dia para outro o melhor pode ser o pior do mundo''.
As palavras de Julio Cesar fugiam ao rótulo descartável muito comum entre jogadores que negam o que parece evidente. ''Sinceramente não vou atrás desse objetivo, senão poderia prejudicar a prioridade, que é ser campeão do mundo pela seleção''.
Ao lado de Gomes e Doni, do treinador de goleiros Wendell Ramalho, e de Taffarel, novo 'espião' da seleção, Julio Cesar teve de falar várias vezes sobre seu prestígio no futebol mundial. ''Sei que correspondi na Inter de Milão, sou respeitado lá na Itália, leio que estou entre os melhores do mundo, mas nada disso mexe comigo''.
Bola
A bola oficial da Copa do Mundo, da Adidas, foi muito criticada por Julio Cesar. O atleta arrancou risos dos repórteres ao dizer que a bola é tão ruim que parece com as que são encontradas em supermercados.
A Adidas é concorrente da Nike, a principal patrocinadora da seleção brasileira. ''É horrorosa, horrível, muito ruim'', repetiu o goleiro. No momento em que saía da sala de entrevistas, Julio Cesar voltou a registrar seu protesto e disse em voz alta que a bola é leve e ''oval como as de supermercados''. Depois, resignado, ressaltou que os goleiros não têm mais escolha e vão ter de se acostumar com a bola.
No rastro das críticas, ele disse que os goleiros em geral não levam vantagem em nada. Citou por exemplo situações em que se deparam com uma falta contra seu time. ''Aí entram três adversários na barreira para tapar a nossa visão''.


