Júlio Baptista está pronto para substituir Kaká
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
Marcius Azevedo<br>Agência Estado 
São Paulo - Se há um jogador contestado na lista dos 23 que vão à África do Sul divulgada por Dunga, na última terça-feira, é Julio Baptista. Muita gente não engoliu o fato de o meia, dito de pouca habilidade, ter sido convocado e jogadores mais talentosos, como Paulo Henrique Ganso e Ronaldinho Gaúcho, terem ficado fora. Mas ele não liga.
Em entrevista à Agência Estado, defende o trabalho que fez pela seleção brasileira ao longo dos últimos três anos e meio e lembra que sempre que foi requisitado deu conta do recado. E mais: avisa que tem condições de substituir Kaká se o craque do Real Madrid realmente não estiver 100% para liderar o Brasil na Copa do Mundo.
''Sempre que ele não pôde jogar fui eu que entrei. O Brasil teve boas apresentações e sempre acabou vencendo'', afirmou Julio Baptista, que disputou 26 jogos na era Dunga, sendo 11 como titular, e marcou quatro gols.
Agência Estado - Como foi ver seu nome na lista de 23 jogadores que vão à Copa?
Júlio Baptista - É uma coisa única na carreira de um jogador, uma situação que envolve muita gente, família, todo mundo torcendo. A gente fica muito feliz. Fiquei praticamente o dia todo atendendo o telefone, muita gente ligando, atendi uma ligação atrás da outra. São coisas boas que acontecem na vida.
AE - Muita gente entende que você não deveria estar lá, queriam Paulo Henrique Ganso ou até o Ronaldinho Gaúcho. Como você lida com isso?
Júlio Baptista - Sou tranquilo. Tudo o que provei foi dentro de campo. Nunca fico falando, os meus números estão aí e falam por mim. Estou muito tranquilo. Por mais que existam pessoas que não gostem, infelizmente precisam aceitar, porque o professor decidiu assim. Dei o máximo quando fui convocado, pude sempre fazer o melhor e esse foi o presente que recebi por tudo o que fiz.
AE - Acha que o desempenho na Copa América de 2007, quando marcou um dos gols na final contra a Argentina, e o gol contra o Equador nas Eliminatórias garantiram sua vaga?
Júlio Baptista - Acho que sim porque quando o treinador tem confiança ele não deixa de acreditar em você. Ele sabe que você pode chegar e ajudar. Isso é o mais importante. Você vê que pela convocação ele só chamou jogadores em quem confia. Fico muito contente por essa confiança e espero mostrar ainda mais na Copa do Mundo. Por mais que os outros fiquem falando, eu sempre procuro mostrar dentro de campo o que sou capaz de fazer.
AE - Por que nem todo mundo se convenceu de sua importância como o Dunga?
Júlio Baptista - Não sei. Talvez exista interesse. O ser humano é complicado. No futebol existe muito jogo de interesse. O que posso falar é que nunca coloquei ninguém para falar de mim, sou uma pessoa simples. Nas oportunidades que tive, procurei aproveitar. Mas sempre existirá alguém que não gosta do seu futebol. Infelizmente na vida é assim, tenho de aceitar. O bom do jogador é saber os seus pontos fortes, aguentar, saber receber uma crítica que te faça bem, uma crítica construtiva.
AE - Você é reserva na Roma. Como vê isso?
Júlio Baptista - Sei que poderia estar jogando mais, mas isso acontece por uma decisão do treinador (Cláudio Ranieri). Pelo menos eu entendo assim. Eu me machuquei logo que o Ranieri assumiu, fiquei praticamente dois meses parado e, quando voltei, ele já tinha um time definido. Infelizmente na Europa é assim. Você precisa esperar o seu momento, respeitar e seguir em frente. O importante é chegar à Copa sem dor. Estou bem fisicamente. Não joguei tanto, mas vou me dedicar ao máximo.
AE - Você disse que pode fazer ainda mais na Copa do Mundo. O que seria?
Júlio Baptista - Quero tentar ficar próximo do nível que apresentei na Copa América de 2007, quando tive boas apresentações.
AE - A condição médica do Kaká é uma incógnita e muita gente diz que ele não tem substituto, que você não tem condições de substituí-lo...
Júlio Baptista - Sempre que ele não pôde jogar, fui eu que entrei. O Brasil teve boas apresentações e sempre acabou vencendo. Claro que o Kaká é um grandíssimo jogador, mas eu também tenho minhas condições e me considero um grande jogador por estar na seleção. Para estar entre os 23, você precisa ser um dos melhores do Brasil. Quem está ali tem condições de jogar, não só eu. Temos quatro meio-campistas e o Dunga saberá adaptar cada um em sua melhor posição para cada um dar o máximo.
AE - Antes da convocação, você evitou dar entrevistas. Por quê?
Júlio Baptista - Não adianta ficar falando fora do campo. O que foi feito foi feito durante esses três anos com o Dunga. Mas também não seria uma entrevista que mudaria todo o percurso que fiz pela seleção. Eu penso assim. O professor analisou, viu o que cada um fez de produtivo e chamou os jogadores nos quais confiava.
AE - Já parou para analisar o caminho da seleção brasileira na Copa do Mundo?
Júlio Baptista - Temos uma chave muito difícil, todos os jogos serão complicados. Na teoria, sem desmerecer ninguém, o jogo mais fácil seria o primeiro, contra a Coreia do Norte. Mas pode não ser, é uma estreia. A gente nunca sabe, mas vamos ver o que pode acontecer.


