Julgamento terá início na quinta-feira
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 1997
Livio Oricchio Agência Estado 
Arquivo FolhaRéuFrank Williams, dono da equipe, é um dos acusados pela morte do brasileiro Ayrton Senna O juiz Maurizio Passarini, responsável pelas investigações que causaram a morte de Ayrton Senna, classificou ontem como irrelevante, a fotografia publicada pelo jornal inglês Sunday Times, ontem, sugerindo que o acidente fatal com Senna ocorreu porque ele desviou de um pedaço de carenagem (carroçaria) de outro carro. O documento gráfico, mesmo admitindo sua veracidade, não muda um milímetro nossa convicção de que foi a quebra da coluna de direção a causa da tragédia, afirmou o magistrado. Quinta-feira começa em Ímola a primeira fase do julgamento dos acusados: Frank Williams, dono da equipe; Patrick Head, diretor-técnico; e Adrian Newey, projetista do modelo FW16.
Passarini disse que a Justiça italiana está se baseando no resultado pericial de uma detalhada investigação sobre o caso. Essa fotografia não acrescenta nada ao que já sabemos. A fotografia do Sunday Times mostra um pedaço da carenagem da Benetton de J.J. Lehto, na trajetória da Williams de Senna, a cerca de 300 metros do local onde ele deixou o asfalto. A teoria do jornal é a de que ao desviar, e por estar com os pneus ainda frios, em razão da corrida estar recomeçando, Senna ficou sem o controle do carro. A reportagem parece ser uma tentativa grosseira de defender os acusados, dada a inconsistência técnica da argumentação.
Além dos três integrantes da Williams, Passarini indiciou no dia 13 de dezembro, mais de dois anos e meio depois da morte de Senna, ocorrida a 1º de maio de 94, três outros personagens: Federico Bendinelli, diretor da Sagis, empresa que administra o autódromo Enzo e Dini Ferrari, em Ímola, local da corrida; Giorgio Poggi, diretor do circuito; e o belga Roland Bruynseraede, delegado de segurança da federação Internacional de Automobilismo (FIA) e diretor do GP de San Marino de 94. Sobre todos pesa a acusação de homício culposo.
Passarini lembrou que os integrantes da Williams terão de responder por qual motivo modificaram a coluna de direção com imprudência e de forma negligente. Senna solicitou alterações para dispor de mais espaço para pilotar. Quanto à direção do autódromo e o inspetor de segurança Bruynseraede, o juíz comentou que eles deverão se explicar do porquê da pista estar em situação de segurança irregular. Havia muitas ondulações no asfalto da curva Tamburello, bem como o muro onde Senna bateu estava muito próximo da pista.
Os acusados informaram que não vão comparecer à primeira audiência em Ímola, a qual será dedicada exclusivamente a questões processuais. Se for necessário, esta audiência continuará em 28 de fevereiro.
A próxima audiência foi marcada para 5 de março e será dedicada às exposições introdutórias e à apresentação de provas das duas partes. Os depoimentos começarão em 11 de março.


