Arquivo FolhaRéuFrank Williams, dono da equipe, é um dos acusados pela morte do brasileiro Ayrton Senna O juiz Maurizio Passarini, responsável pelas investigações que causaram a morte de Ayrton Senna, classificou ontem como ‘‘irrelevante’’, a fotografia publicada pelo jornal inglês Sunday Times, ontem, sugerindo que o acidente fatal com Senna ocorreu porque ele desviou de um pedaço de carenagem (carroçaria) de outro carro. ‘‘O documento gráfico, mesmo admitindo sua veracidade, não muda um milímetro nossa convicção de que foi a quebra da coluna de direção a causa da tragédia’’, afirmou o magistrado. Quinta-feira começa em Ímola a primeira fase do julgamento dos acusados: Frank Williams, dono da equipe; Patrick Head, diretor-técnico; e Adrian Newey, projetista do modelo FW16.
Passarini disse que a Justiça italiana está se baseando no resultado pericial de uma detalhada investigação sobre o caso. ‘‘Essa fotografia não acrescenta nada ao que já sabemos’’. A fotografia do Sunday Times mostra um pedaço da carenagem da Benetton de J.J. Lehto, na trajetória da Williams de Senna, a cerca de 300 metros do local onde ele deixou o asfalto. A teoria do jornal é a de que ao desviar, e por estar com os pneus ainda frios, em razão da corrida estar recomeçando, Senna ficou sem o controle do carro. A reportagem parece ser uma tentativa grosseira de defender os acusados, dada a inconsistência técnica da argumentação.
Além dos três integrantes da Williams, Passarini indiciou no dia 13 de dezembro, mais de dois anos e meio depois da morte de Senna, ocorrida a 1º de maio de 94, três outros personagens: Federico Bendinelli, diretor da Sagis, empresa que administra o autódromo Enzo e Dini Ferrari, em Ímola, local da corrida; Giorgio Poggi, diretor do circuito; e o belga Roland Bruynseraede, delegado de segurança da federação Internacional de Automobilismo (FIA) e diretor do GP de San Marino de 94. Sobre todos pesa a acusação de homício culposo.
Passarini lembrou que os integrantes da Williams terão de responder por qual motivo modificaram a coluna de direção ‘‘com imprudência e de forma negligente’’. Senna solicitou alterações para dispor de mais espaço para pilotar. Quanto à direção do autódromo e o inspetor de segurança Bruynseraede, o juíz comentou que eles deverão se explicar do porquê da pista estar em situação de segurança irregular. Havia muitas ondulações no asfalto da curva Tamburello, bem como o muro onde Senna bateu estava muito próximo da pista.
Os acusados informaram que não vão comparecer à primeira audiência em Ímola, a qual será dedicada exclusivamente a questões processuais. Se for necessário, esta audiência continuará em 28 de fevereiro.
A próxima audiência foi marcada para 5 de março e será dedicada às exposições introdutórias e à apresentação de provas das duas partes. Os depoimentos começarão em 11 de março.

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