Julgamento não havia terminado até as 22h
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quinta-feira, 20 de agosto de 1998
Marcos Freitas 
Com uma hora e meia de atraso, o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paranaense de Futebol se reuniu ontem para julgar o caso de suborno no Campeonato Paranaense. Até o fechamento desta edição, às 22 horas, apenas o relator do processo, a procuradoria e os advogados do goleiro do Iraty, Roberto França, do ex-vice-presidente do Coritiba, João Carlos Vialle e do ex-preparador de goleiros do Iraty, Adilson Cocconi, tinham se pronunciado.
A procuradoria pediu a inclusão de Roberto França e do presidente do Iraty, Sergio Malucelli, no processo pois entendia que eles tiveram participação no caso do suborno. O goleiro, por ter dado continuidade às conversas com Vialle. E Sergio Malluceli por ter revelado o caso à imprensa antes de enviar ao TJD.
A procuradoria pediu ainda a condenação de Malucelli pelo fato do presidente do Iraty ter enviado as fitas contendo as gravações das conversas para a perícia na Unicamp em Campinas antes de levá-las ao conhecimento do Tribunal.
Na defesa do goleiro Roberto, o advogado Marcelo Ribeiro pediu a absolvição do seu cliente pois entendia que ele estava sendo vítima de uma tentativa de suborno e só deu continuidade às conversas para conseguir um flagrante. Ribeiro fez ainda uma defesa própria, em forma de desabafo, por ter sido citado na defesa de Vialle como sendo um dos que estariam fazendo a armação na qual Vialle teria caído.
O advogado de Vialle, Julio Militão, começou a sua defesa pedindo para que o auditor José Pacheco Neto fosse excluído do processo por ter dado uma entrevista a uma rádio de Curitiba, no dia 6 de agosto, proferindo seu voto contra Vialle. Pacheco replicou dizendo-se ultrajado e saiu da sala de julgamento.
Militão voltou a dizer em seu discurso de defesa que Vialle foi vítima de uma farsa. Ele apresentou fitas mostrando declarações do então goleiro titular do Iraty, Ricardo Pinto, que no depoimento dizia que sabia da armação e que também sabia que iria jogar no lugar de Roberto. A entrevista foi concedida dias antes do jogo entre Coritiba e Iraty.
O advogado de Waldonedo Xavier sustentou a tese de que não existe crime algum. Ou, em suas próprias palavras, crime impossível. Ele disse que ninguém pagou, nem recebeu quantia alguma.


