Juizes vão resistir à dupla arbitragem, prevê Duprat
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Emerson Couto 
São Paulo, 21 (AE) - A dupla arbitragem no Campeonato Paulista do ano 2000 já está liberada pela Fifa e confirmada pelo presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah. A mudança, no entanto, sofrerá resistências por parte dos próprios árbitros. A previsão é de Renato Duprat Filho
presidente da Comissão de Arbitragem da FPF.
"Há a questão da vaidade porque, agora, os dois terão de dividir o espaço, o poder", comenta Duprat. "Eles vão alegar também que os temperamentos de cada um são diferentes." Segundo Duprat, a inovação, considerada um sucesso no atual Campeonato de Aspirantes, já será vista em jogos de equipes principais em outubro, como forma de experiência. Em janeiro de 2000, ela ganhará mais força em São Paulo. Há três meses, Farah e Duprat estiveram na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça, para mostrar que o teste com os aspirantes foi um sucesso. Neste campeonato, cada árbitro ficava em uma metade do campo.
A Fifa, porém, liberou a experiência em competições principais, já para o segundo semestre do ano,com os dois árbitros juntos por todas as partes do campo.
"Não dá para comparar um campeonato de aspirantes com um principal", rebate Oscar Roberto de Godói, da elite da arbitragem paulista. "Só a prática vai dizer se vai funcionar a dupla arbitragem no Paulista." Godói é favorável à presença de um árbitro em cada metade do campo, o que, efetivamente, não vai acontecer. "Faremos muitos testes para saber qual a melhor maneira de os árbitros atuarem juntos", afirma Duprat.
"Acredito que não haverá problemas de adaptação porque nossos árbitros têm bastante jogo de cintura."
BENEFÍCIOS - Conclusões da Escola de árbitros da FPF, ao fim da primeira fase do Campeonato de Aspirantes, mostram que a idéia teve benefícios para o futebol - mais tempo de bola em jogo, maior proximidade do lance e menor desgaste dos árbitros. "Com dois árbitros, cada um em uma metade do campo, foi possível acompanhar os lances a uma distância máxima de dez metros", disse Gustavo Caetano Rogério, diretor da Escola de árbitros. "O índice de acertos aumentou."
Segundo Rogério, o número de pênaltis marcados corretamente também aumentou e o atleta que costuma "cavar" as faltas dentro da área ficou inibido. A maior proximidade também diminuiu a chamada "cera" - nas cobranças de tiro-de-meta, por exemplo, um árbitro fica no centro do campo e o outro próximo do goleiro. Com menos cera, houve, como consequência, mais tempo de bola rolando. Sessenta e um jogos, ou 92,2% dos disputados nos Aspirantes, tiveram mais de 60 minutos de jogo, o ideal sugerido pela Fifa.
Rogério lembra ainda que um estudo médico feito, certa vez, pelo fisiologista Turibio Leite de Barros Neto, do São Paulo, mostrou que o árbitro tem reduzida a oxigenação a 15 minutos do fim do jogo. "Ele sofre um grande desgaste, fica tenso, erra mais", emenda Rogério. Para ele, um dos grandes problemas da arbitragem atualmente é diferença de condicionamento físico entre os árbitros e os atletas profissionais. "A dupla arbitragem amenizaria o problema."
No Campeonato de Aspirantes, 31 árbitros foram testados, com a nota média pelo desempenho de 7,23. São juízes com no máximo três anos de apito, possivelmente árbitros de talento em um futuro breve, como projeta Rogério. Assim como Duprat, Rogério não vê problemas de adaptação para os árbitros que estão acostumados a trabalhar sozinhos em campo. "Tecnicamente, a orientação será diferente", explica. "São novas formas de colocação e movimentação." Duprat lembra que um dos dois árbitros vai correr na linha do assistente, formando um triângulo com o companheiro.


