São Paulo, 27 (AE) - Os árbitros brasileiros vêem pontos positivos e negativos na proposta da União Européia de Futebol (Uefa) da utilização de dois juízes em partidas de futebol. Oscar Roberto Godoi e Paulo César de Oliveira, que já participaram de uma experiência no Campeonato Paulista da categoria Dente de Leite divergem. O primeiro é contra a adoção da regra e o segundo à favor. O ex-árbitro Arnaldo Cézar Coelho, que apitou a final da Copa de 90, não gostou da proposta. Sidrack Marinho dos Santos, que não passou por nenhuma experiência semelhante, vê vantagens e desvantagens na mudança da regra. O diretor do departamento de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Armando Marques, não quis opinar. Segundo ele, por ser filiado à Fifa não pode emitir comentários sobre decisões de outra entidade.
Para Coelho, o argumento da Uefa de que com dois juízes em campo o esforço físico dos mesmos diminuiria e faria com que eles ficassem mais próximos à jogada é válido, mas ele alerta que "as regras do futebol são claras, conservadoras e muito subjetivas; dependendo de 90% de interpretação pessoal." Godoi diz que o desgaste físico com a nova regra é menor. "Mas não vai eliminar a maioria dos erros dos árbitros se eles continuarem mau posicionados." Oliveira é mais otimista. "A vantagem acontece nos casos de contra-ataque", diz. "Quando a bola atravessa o campo não há como o juiz acompanhar a jogada, mas se o outro árbitro estiver na linha central ele chegará antes, e nesse caso, os erros são menores."
Sidrack acredita que a nova regra diminuiria o desgaste dos juízes, mas, assim como Coelho, tem dúvidas sobre a interpretação das regras. "Minha maior preocupação são as análises dos lances pois serão sempre dois seres humanos, que podem pensar de maneira diferente, ao analisar uma jogada e aí, qual decisão irá prevalecer?" A falta de orientação técnica é, segundo Coelho, a principal causa das más arbitragens. Para ele, a solução para se melhorar o nível das atuações não está na criação de novas regras, e sim, no incentivo às discussões técnicas, através de palestras e cursos.

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