São Paulo - O juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, do 5º Tribunal do Júri, recebeu integralmente a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo contra Nairo Ferreira de Souza e Paulo Donizetti Forte, respectivamente presidente e médico do São Caetano, que os responsabiliza pela morte do zagueiro Serginho, fulminado por ataque cardíaco em 27 de outubro do ano passado, durante jogo no Morumbi.
Assim, ontem o juiz instaurou ação penal contra os dois denunciados por homicídio qualificado, pela motivação torpe. Trata-se de crime considerado hediondo, cuja a pena vai de 12 a 30 anos de reclusão, em regime fechado, sem direito a qualquer benefício. Se forem condenados pelo júri popular, eles não terão ainda o direito de apelar em liberdade ao Tribunal de Justiça.
A defesa pode recorrer ao Tribunal de Justiça contra a decisão que recebeu a denúncia.
O promotor Zagallo destaca na peça acusatória que o presidente e o médico do São Caetano sabiam desde fevereiro de 2004 que Serginho sofria de ''taquicardia ventricular não sustentada''. Ignoraram, entretanto, recomendação dos especialistas para afastarem o jogador de atividades esportivas, pois havia risco de morte súbita. Assim agindo, assumiram o risco de provocar o resultado médico. A motivação foi torpe, ou seja ''usufruiu o jogador que era titular absoluto do clube. Assim, submeteram o jogador a mais de 50 partidas em três campeonatos (Paulista, Brasileiro e Copa Sul Americana).''
A tragédia se consumou durante uma partida entre São Paulo e São Caetano, no dia 27 de outubro de 2004. Aos 13 minutos do segundo tempo, Serginho caiu no gramado, fulminado por ataque cardíaco.

mockup