Judocas retornam decepcionados ao Brasil
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
Por Valéria Zukeran 
São Paulo, 12 (AE) - Os judocas da seleção brasileira chegaram hoje ao Brasil acreditando que poderiam ter feito mais pelo País no Campeonato Mundial, disputado em Birmingham, Inglaterra. A equipe voltou para casa com uma medalha de bronze, resultado inferior ao Mundial anterior, em 1997, quando os brasileiros trouxeram uma medalha de prata e duas de bronze. "Levando em conta o que a gente passou antes da competição, acho que o saldo foi até positivo", disse a judoca Cristina Sebastião, lembrando dos problemas entre a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e atletas que quase cancelou a participação brasileira.
Entre os outros atletas o sentimento era o mesmo. "Sem dúvida o que aconteceu mostrou que o planejamento não foi adequado", disse Aurélio Miguel. O judoca acredita que companheiros como Sebástian Pereira, medalha de bronze, e Carlos Honorato, quinto colocado, poderiam ter resultados ainda melhores, se a equipe não tivesse perdido uma semana de treinos antes do embarque.
"Depois de tudo o que aconteceu, a gente espera que o judô brasileiro siga rumo à modernidade", afirmou Aurélio. Para ele, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o ministro dos Esportes, Rafael Greca, não podem deixar passar despercebido todos os problemas enfrentados pelos atletas. Sobre a reunião de conciliação entre Mamede Jr. e atletas, proposta por Nuzman, Aurélio, assim como os outros atletas não descartam a possibilidade, mas não se mostram otimistas.
Antes do Mundial, o presidente da CBJ, Joaquim Mamede Júnior, anunciou a desistência do Brasil, alegando que os atletas não tinham pago a taxa de US$ 3 mil exigida pela entidade. Simultaneamente, Aurélio e a CBJ estavam envolvidos em uma disputa judicial pelo direito do judoca, que estava contundido no dia da final da seletiva, de disputar a decisão em combate contra Marcelo Figueiredo. O caso foi resolvido três dias antes do embarque, com a realização da seletiva, que Figueiredo recusou-se a lutar, e o corte na delegação, reduzindo o valor da taxa para US$ 2.050,00.
Se por um lado os atletas saíram decepcionados, por outro mostravam otimismo para os Jogos Olímpicos de Sydney. "Chegamos em quatro semifinais, o Alexsander fez boa luta com o campeão mundial e acho que se pudermos treinar direito, sem conflitos entre atletas e dirigentes podermos ir ainda melhor", disse Honorato. "Os talentos estão aí, é só a gente não deixar morrer e trabalhar com profissionalismo", afirmou Henrique Guimarães.


