São Paulo - A judoca Danielli Yuri atravessou o mundo atrás do sonho de defender o Brasil na categoria meio-médio nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Há quatro anos, deixou os pais e irmãos em Hamamatsu, no Japão, onde viveu por oito anos, para treinar em São Caetano do Sul e, assim, ficar mais perto da seleção brasileira.
Aos 23 anos, a garota conseguiu seu objetivo e vai defender o Brasil nos Jogos no Rio, depois de desbancar na seletiva a veterana Vânia Ishii, dona de um ouro e uma prata na história do Pan. Sua persistência e bom desempenho nas competições que serviram de observação para comissão técnica foram fundamentais para sua convocação.
Mas a ''ficha'' de Danielli só caiu quando ouviu seu nome na lista do Pan. ''Foi a semana mais longa da minha vida. Não dormi direito. Sabia que o nome da Vânia (Ishii) pesava para caramba, ela está na seleção há dez anos. Não vou mentir. Estava desesperançosa. Abria a internet e só via foto da Vânia, textos sobre ela. Mas no fundo sabia que tinha feito um ótimo trabalho'', contou a judoca.
Natural de Registro, interior de São Paulo, Danielli foi morar no Japão quando tinha 11 anos. Lá, estudou e treinou judô na escola até os 19. Não tinha experiência em competições internacionais de peso até voltar ao Brasil - o máximo que fez foi disputar torneios internacionais na cidade de Osaka. ''Mas só tinha japonês e alguns coreanos. Assim não vale'', lembrou, rindo.
Ao ouvir seu nome na lista de convocados para o Pan, Danielli caiu no choro. A primeira atitude que teve foi ligar para os seus pais no Japão. ''Eles não poderão vir para o Pan. A passagem é cara. Vão deixar para ir a Pequim. É mais perto do Japão'', brincou Danielli, sem, no entanto, perder a confiança. ''Olimpíada não é mais um sonho, mas um objetivo. Pequim virou minha meta.''
Agora, em sua preparação para o Pan, ela vai intensificar os treinos com lutadoras canhotas, para surpreender sua principal adversária no Rio, a cubana Driulis Gonzales. ''Tenho dificuldade em lutar com canhotas. Preciso treinar mais esse lado. O difícil é que temos pouco material humano. Além disso, quero ganhar força (massa muscular)'', avisou Danielli.

mockup