O judoca Sebástian Pereira treinou quatro anos para tentar conquistar, em Sydney, uma medalha olímpica perdida por muito pouco nos Jogos de Atlanta, em 1996, quando terminou em quinto lugar. Os sonhos ganharam maior consistência ainda no ano passado, quando conquistou o bronze no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, e no Mundial de Birmingham na Inglaterra. Nas seletivas para a Olimpíada, há exatamente um mês, porém, o atleta carioca, de 23 anos, sofreu o maior tropeço de sua carreira ao ser derrotado pela revelação Tiago Camilo, de 18 anos.
Sebastian viajou para a Austrália na condição de reserva e de sparring de luxo do titular Tiago. Treinam juntos todos os dias. Não foi fácil superar a desilusão provocada pela inesperada derrota.
‘‘Os melhores sempre passariam.’’ Sebastian não foi o único favorito a ser eliminado nas seletivas, disputadas no Rio. O leve Flávio Canto, vice-campeão em Winnipeg, também ficou fora, assim como o campeão olímpico Aurélio Miguel, que se recuperava de uma delicada cirurgia no joelho esquerdo. Para o treinador Geraldo Bernardes, não houve surpresas nas seletivas. Ele acredita que o Brasil alcançou um estágio técnico invejável no esporte, tirando qualidade da quantidade de competidores.
‘‘Temos pelo menos seis atletas de nível em cada uma das categorias de peso’’, garante. ‘‘Mostramos esta força no Mundial por Equipes, disputado no ano passado na Bielo-Rússia, quando ficamos com o vice-campeonato e fomos superados apenas pelo Japão.’’ Para os Jogos de Sydney, a equipe, segundo o treinador, é renovada mas experiente. Os nomes mais conhecidos são do meio-leve Henrique Guimarães, medalha de bronze em Atlanta, e da meio-pesado Ednanci Silva, bronze no Pan-Americano de Winnipeg e que está se recuperando de uma contusão.

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