Judô brilha com duas medalhas de ouro
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sexta-feira, 20 de julho de 2007
Valéria Zukeran<br> Agência Estado 
Rio - O judô brasileiro está dando show nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Até agora, foram disputadas seis categorias e o Brasil ganhou medalhas em todas. Ontem, os judocas foram quatro vezes ao pódio, com duas de ouro, uma de prata e outra de bronze.
A expectativa é manter essa performance 100% nas disputas de hoje, quando haverá definição de medalhas em quatro categorias. E o Brasil estará bem representado em todas elas, com Flávio Canto, Leandro Guilheiro, Danielle Zangrando e Danielli Barbosa.
As medalhas de ouro, ontem, vieram com Edinanci Silva (categoria até 78kg) e Tiago Camilo (até 90kg). Enquanto isso, a novata Mayra Aguiar, que tem apenas 15 anos e ainda é faixa marrom - uma antes da preta -, ficou com a prata (até 70kg). Já Luciano Corrêa levou bronze (até 100kg). Antes, na quinta, João Gabriel Schlitter tinha sido prata e Priscila Marques, bronze.
No meio de tantas medalhas, destaque para Edinanci, que conquistou o bicampeonato pan-americano. Arrasadora, ela levou o público do Riocentro ao delírio com suas rápidas vitórias.
Cheia de estilo, Edinanci apareceu em todas as suas lutas vestindo um roupão com capuz sobre os olhos, para não perder a concentração. E deu certo. No primeiro combate, ela derrotou a guatemalteca Miria Roberto, por ippon, em apenas nove segundos. Depois, no segundo, precisou de 26 segundos para dar outro golpe perfeito e vencer a argentina Lorena Briceno.
A única atleta que exigiu mais da brasileira foi a cubana Yurisel Laborde, que demorou 4 minutos e 46 segundos para sucumbir na decisão da medalha de ouro. Na entrevista coletiva depois da premiação, a judoca de Cuba mal conseguia falar de tão arrasada que estava.
Edinanci revelou que já havia perdido para a rival cubana nas últimas três lutas que ambas haviam disputado. E aproveitou para dedicar a medalha de ouro às vítimas do vôo JJ 3504 da Tam, no grave acidente que aconteceu em São Paulo na terça-feira.
''A gente se coloca no lugar, porque nós atletas vivemos praticamente dentro de um avião e as nossas famílias acabam se colocando no lugar destas pessoas (que perderam seus parentes)'', explicou a judoca brasileira. ''Realmente transformei minha tristeza em uma motivação. Acho que isso que eu fiz não é nada e talvez não sirva para consolá-los (as famílias das vítimas), porque a dor é muito grande, mas eu fico feliz de ter feito esta homenagem.''


